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Notícia


Líder é um potencializador da capacidade de evolução

Desenvolver pessoas e guiá-las em uma jornada profissional com propósito. Este é o desafio de quem ocupa cargos de gestão e liderança, de acordo com o professor Marcelo Masini Melo, dono de uma extensa carreira executiva e acadêmica na área de Gestão e Tecnologia em Sistemas Produtivos.

“Liderar é usar as habilidades para desenvolver pessoas e fazer com que elas compreendam seu papel e se comprometam com a empresa, independentemente das relações ocorrerem em ambiente presencial ou a distância”, assegura o profissional, ao comentar a nova rotina de trabalho de empresas e profissionais neste período de pandemia.

Professor da Franklincovey e sócio da MMM Desenvolvimento e Assessoria Organizacional, Melo conversou com a Revista ACIM e elencou as características imprescindíveis a um líder. Falou ainda sobre inovação, projetos para melhorar a performance organizacional e a necessidade de indicadores para as pequenas empresas:

 

Qual é o grande desafio de liderar em período de pandemia?

Estamos vivendo uma transformação imensa neste universo de liderar a distância e num ambiente virtual. Mas o grande desafio não tem a ver com a distância ou o virtual, e sim com as habilidades, as competências, a mentalidade e as ferramentas que usamos neste universo, que exige novas ações e principalmente um posicionamento diferente. É diferente a forma de interação e o nível de confiança. Como não estou vendo a pessoa, há o questionamento se isso vai impactar no resultado do trabalho. Na maioria das vezes sabemos que o controle a distância não prejudica a produtividade. Daí a importância de estimular a equipe, ajudar na sua evolução e em criar um ambiente no qual as pessoas entendam o quanto a sua contribuição é útil ao resultado e se comprometam com a empresa. Também é importante lembrar que os funcionários remotos precisam de tecnologia, ferramentas e softwares no ambiente doméstico. Acredito que o modelo de trabalho virtual vai trazer inovações imensas no processo de construção de confiança, exigência de nova postura e engajamento. Até pouco tempo era uma obrigação exclusiva das companhias atuar no desenvolvimento profissional, agora passa a ser uma obrigação do líder incentivar os seus liderados neste ponto. Trata-se de um grande desafio da liderança para manter os resultados, porém ouso dizer que em alguns casos o resultado será melhor do que no presencial.

E como ser um líder coach?

Ele precisa conhecer a si mesmo. Se não tiver o domínio das suas ações e o conhecimento do impacto delas, a possibilidade de ajudar os liderados a liberar o seu potencial é muito pequena. Por exemplo, não dá para esperar que um líder com a postura da era industrial, do modelo ‘faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço’, engaje as pessoas. Estamos numa sociedade em que as pessoas precisam sentir que o líder é um potencializador da sua capacidade de evolução. O papel do líder coach é questionar, ouvir e incentivar. Um dos erros que o líder não pode cometer é fazer pelas pessoas aquilo que elas deveriam fazer por si mesmas.

Inexperiência em gestão é possível de ser superada?

Caso implique em falta de resultados, a forma mais simples e justa de solucionar a inexperiência é um projeto de gestão para desenvolver essa pessoa. Buscar uma mentoria para que ela possa aprender, evoluir e compreender o seu papel no dia a dia. Gestão e liderança ninguém nasce sabendo, são processos de desenvolvimento. Todos podem ser líderes se realmente se dedicarem e quiserem, porque também há a questão de se as pessoas estão satisfeitas na posição que ocupam. Precisa-se proporcionar aos gestores inexperientes a capacidade de evolução, e a responsabilidade disso é exclusivamente do líder. A arte de liderar está em colocar as pessoas certas no ônibus e depois achar o lugar certo para elas.

Quais são os erros comuns de um líder?

O líder precisa entender a dimensão da sua responsabilidade no ambiente organizacional, ou seja, precisa saber o que se espera dele. Da mesma forma, ao conversar com seus liderados, ele deve deixar claro o que espera deles a partir das condições de trabalho proporcionadas. Cabe ao líder conquistar os liderados e motivar seu engajamento. Mas não é mandando, manipulando ou tornando simplória as coisas complexas. Liderar significa trabalhar com gente. Quem não gosta de gente, não vai liderar.

Como manter equipes motivadas na pandemia?

Envolvendo e dando voz às pessoas. Não jogando em cima delas volumes absurdos de trabalho sem antes identificar suas capacidades para entregá-lo. Não é o controle a distância que funciona, é a comunicação online robusta e a capacidade de gerar um plano visível de colaboração que darão resultado. Envolver as pessoas a distância não é tão complexo assim. Hoje temos ferramentas incríveis para fazer reuniões remotas e promover uma conexão e interação até maior do que no presencial em termos de eficácia.

Pequenas empresas também precisam de indicadores de performance?

Não dá para uma pequena empresa pensar em evoluir sem ter indicadores. O indicador básico é o controle de caixa. Saber o que entra e o que sai, o que tenho para receber, o que tenho que pagar, o que tenho para investir. Não dá para contar jamais com o dinheiro que um dia vai entrar. Aquelas que na pandemia contavam com o dinheiro futuro, não existem mais. A segunda coisa é conhecer a margem em profundidade. Ou seja, o que ganho, quanto custa, quanto preciso ganhar. Entender as variáveis de custo fixo e variável. Tem que entender sobre velocidade, e nisso me refiro ao estoque. Hoje existem ferramentas boas, com custos acessíveis para usar. Também preciso saber qual o crescimento almejado. Preciso ter indicadores de cliente, saber o quanto ele está satisfeito e o valor que dá ao meu negócio.



 

Como as pequenas empresas podem criar um ambiente que estimula a inovação?

Não impedindo que a inovação aconteça. Para tanto deve-se evitar o ambiente de comando e controle, do eu mando e você obedece, sou o chefe e você, subordinado. Quando chama para si a capacidade de fazer pelo fato de ter construído o que construiu, a inovação jamais vai acontecer pelo desempenho das outras pessoas. Até existem pessoas incríveis que superam os processos internos porque são inconformadas por natureza. Essas pessoas são especiais, mas são poucas perto do universo que trabalhamos. Não se deve criar processos que atrapalhem a evolução das pessoas. Inovação não acontece simplesmente porque estou pedindo, acontece quando há condições favoráveis. Não dá para ter uma política que exige que tudo seja consultado e informado, e de repente olhar para as pessoas e dizer: você tem que inovar. Pessoas cumprem à risca o que foi mandado para não serem penalizadas porque esta é a cultura. E aí não há espaço para inovação.

Os consultores têm falado em soft skills. O que são essas chamadas habilidades comportamentais?

Quando falamos em desenvolvimento, não existe um ponto de chegada, existem pontos de evolução. Por isso, a habilidade número um é a aprendizagem, é a capacidade de aprender e renovar conhecimento e atitudes em ciclos frequentes e contínuos. Outro ponto fundamental é a capacidade de entender e assumir a responsabilidade que suas escolhas são as únicas responsáveis pelo resultado. É preciso construir relações por meio da geração de empatia e da habilidade de adaptação ao mundo, bem como de cooperar e comunicar de forma honesta e respeitosa. Para isso, temos usado muito a questão da curadoria, que é a capacidade de identificar as informações, gerando experiência e conhecimentos mais relevantes e estratégicos para o desenvolvimento do profissional. Em resumo, soft skills é a habilidade de viver com gente, a capacidade de ajudar os outros a entregar o seu melhor. E onde tudo isso começa? Em você. Porque se você não prestar a atenção e achar que as pessoas têm que realizar as coisas por obrigação, que liderança está fazendo? Elas podem chegar lá, mas alguém tem que ser o puxador da fila, este é o papel do líder. Importante destacar que o sucesso do líder depende da sua capacidade de desenvolver seus liderados, já que o resultado depende da entrega deles. As habilidades que levavam você como colaborador individual a ter sucesso não são nem perto as mesmas necessárias para liderar.



 


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