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Informações sobre o decreto nº 856/2020

A Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM) informa que decreto da prefeitura de Maringá proíbe, entre os dias 11 e 14, as atividades de indústrias de produtos não essenciais, construção civil, serviços públicos não essenciais e a prestação de serviços de empresas e profissionais autônomos, exceto atendimentos emergenciais em clínicas médicas, odontológicas e veterinárias.
Desde o início desta pandemia a entidade tem mantido diálogo frequente com as autoridades públicas para discutir o equilíbrio entre saúde da população e a sustentabilidade dos negócios, bem como a manutenção de empregos. Nesta quarta-feira inclusive a entidade se reuniu com o prefeito para apresentar informações e pleitear que não fossem afetadas as indústrias não essenciais cujas linhas da produção possam gerar perdas de insumo até a conclusão do processo. E pleiteou também o funcionamento do comércio, restaurantes e bares em virtude do Dia dos Namorados.
A entidade investiu mais de R$ 1,7 milhão em equipamentos e suprimentos para os novos leitos da Covid-19 de hospitais públicos,  tem uma equipe multidisciplinar para acompanhar os indicadores da saúde e tem trabalhado, junto ao poder público, para permitir a abertura e a flexibilização das empresas. A ACIM se coloca ao lado dos empreendedores e tem trabalhado para minimizar as perdas que as empresas e seus colaboradores têm sofrido.

Cooperação, a melhor alternativa para credor e devedor

A pandemia desorganizou o planejamento financeiro das empresas, por isso, na hora de pagar e receber, a palavra da vez é a flexibilização

 

De uma hora para outra praticamente tudo o que estava previsto para 2020 ficou em cheque. A pandemia do novo coronavírus fez com que todo o planejamento pessoal e financeiro de famílias e empresas fosse revisto e, de alguma forma, remodelado. Com o decreto que suspendeu boa parte das atividades econômicas, empresários viram o fluxo de caixa praticamente se esgotar e, com a chegada de um novo mês, vem novamente a preocupação em como arcar com os compromissos.

Segundo o advogado Rafael Veríssimo, especialista em Direito Empresarial e Bancário, em tempos de recessão como a atual é importante que o empresário saiba que renegociar será sempre uma opção mais inteligente do que não pagar e esperar. “Toda e qualquer dívida pode ser renegociada: das bancárias às tributárias, dos fornecedores aos locadores, o importante é não ignorar o problema”, afirma.

Veríssimo aconselha que ao perceber que não será possível honrar um compromisso, o ideal é entrar em contato com o credor e expor a situação de forma transparente, de modo que se possa achar um ponto de equilíbrio entre as partes. O credor, por sua vez, precisa ser compreensivo e estratégico, pois no longo prazo o acordo será mais vantajoso do que um processo judicial. “É importante destacar que dada à complexidade do momento, as justificativas para o não cumprimento de um contrato vão provocar discussões judiciais complexas e até imprevisíveis”, diz.

Havendo acordo entre credor e devedor, o advogado orienta que as tratativas sejam realizadas de modo que, caso exista divergência no futuro, os termos e as condições da renegociação estejam à disposição das partes. “Embora o ideal seja formalizar toda e qualquer negociação por meio de aditivo contratual, isso nem sempre será possível ou viável, já que neste momento muitas empresas estão optando pelo home office. Neste caso, o e-mail pode ser uma boa opção, desde que indique as novas condições, prazos e obrigações”, explica.

No caso das negociações feitas por aplicativos de mensagens, a orientação é que se faça uma ata notarial, registrando e formalizando o conteúdo das mensagens. “O ideal é que se tenha alguma formalização e que o acordo meramente verbal não seja uma opção, além disso, buscar orientação jurídica prévia, seja na condição de devedor ou de credor, garante segurança jurídica na formalização das renegociações”, diz.

Contratos de aluguel
Residenciais ou comerciais, os contratos de aluguel representam uma fatia importante no orçamento de famílias e empresas, por esta razão, o assunto é destaque quando se fala em renegociação durante a pandemia. De acordo com a advogada Marlene Tissei, especialista em Direito Imobiliário, a partir de meados de abril os donos de imóveis e as imobiliárias passaram a receber pedidos para a redução ou suspensão dos valores. “Neste momento começaram as indagações: o inquilino que sofreu impacto financeiro tem o direito de obter a redução do valor do aluguel? E o locador está obrigado a conceder o desconto ou suspender o pagamento?”, diz.

Marlene explica que, diante da complexidade da situação, que tem extensão mundial, os operadores do direito começaram a estudar soluções legais para o contexto, tanto que foi aprovado na Câmara dos Deputados o projeto de lei nº 1179/2020, que dispõe sobre o Regime Jurídico Emergencial e Transitório das relações jurídicas de Direito Privado (RJET) no período da pandemia. “O texto original previa a suspensão total ou parcial do pagamento dos aluguéis com vencimentos entre 20 de março e 30 de outubro de 2020 para inquilinos de imóveis residenciais que sofreram impacto em seus rendimentos, no entanto, o artigo foi suprimido por abranger praticamente todos os locadores e não considerar aqueles que têm o valor do aluguel como única fonte de renda”, explica.
Segundo o texto, que aguarda a sanção presidencial, apenas fica proibida, até 30 de outubro de 2020, a concessão de liminar de desocupação em algumas situações de despejo, ou seja, por hora, não existe disposição legal que isente o locatário do pagamento do aluguel no período da pandemia, bem como não há nada que obrigue o locador a suspender o pagamento ou dar desconto. “Neste caso, cabem às partes encontrar a melhor solução para cada um de modo a evitar demandas judiciais que geram custos e desgastam os relacionamentos”.

Uma das formas que está sendo bem-aceita pelas partes, segundo a advogada, é a concessão de desconto no valor do aluguel referente ao período em que o inquilino ficou impedido de exercer sua atividade. “Uma alternativa é a suspensão parcial do aluguel. Nesse caso, o locatário deverá pagar o valor suspenso em parcelas nos meses subsequentes ao retorno de suas atividades”, explica. Já o inquilino que não sofreu impacto econômico, bem como aquele que teve apenas redução no seu proveito financeiro, não tem direito e não deve invocar medida para reduzir ou suspender o pagamento do aluguel. “Vale lembrar que o risco da atividade econômica é do inquilino, dono do negócio e não do locador, dono do imóvel”, explica.

 

Em busca de crédito
Para ajudar empresas que estão enfrentando dificuldades financeiras, a Noroeste Garantias em parceria com a prefeitura de Maringá, ACIM, Sebrae e Sicoob Metropolitano está oferecendo acesso ao crédito com taxas de juro diferenciadas para pagamento de salário, encargos e despesas administrativas.

Trata-se de uma linha de crédito emergencial da Covid-19, que começou em março, voltada para micro e pequenas empresas. Para valores até R$ 100 mil na modalidade capital de giro, a taxa de juros é de 0,49% ao mês, com seis meses de carência e prazo de 18 meses. “O objetivo dessa iniciativa é socorrer as empresas neste período difícil. No ano passado, a prefeitura aportou R$ 1 milhão no fundo garantidor de crédito, este ano foi mais R$ 1 milhão e a Secretaria Municipal de Fazenda sinalizou que quando o saldo for consumido, haverá novo aporte”, explica o diretor executivo da Noroeste Garantias, Jean Flávio Zanchetti. Com o dinheiro do fundo, a Noroeste avaliza as operações de micro e pequenas empresas. A lista dos documentos para cadastro e análise de crédito está disponível em www.noroestegarantias.com.br

 

Fomento Paraná
Na Fomento Paraná, instituição financeira do governo do Estado, a demanda também aumentou significativamente por causa da pandemia. No ponto de atendimento, que fica no prédio da ACIM, em menos de dois meses foram mais de 750 atendimentos e 220 propostas iniciadas por meio do Programa Paraná Recupera, que oferece linhas de crédito emergenciais para capital de giro destinadas à manutenção de salários e empregos. Os valores solicitados somam R$ 13 milhões, com aprovação de mais de R$ 1 milhão, valor que deve aumentar com as propostas que estão em análise. A instituição financeira oferece operações com taxas a partir de 0,68%.

Devido à alta demanda de pedidos desde o início da pandemia, o prazo de aprovação leva até 70 dias. As solicitações de crédito são analisadas na sede da Fomento Paraná, em Curitiba, e passam por verificação de documentos da empresa, sócios e cônjuges. As empresas interessadas em crédito com valores superiores a R$ 21 mil (exceto MEI) podem entrar em contato com a ACIM pelo WhatsApp (44) 99999-3415 ou pelo e-mail fomentoparana@acim.com.br

 

Reinvenção na pandemia

Parceria com influenciadores, e-commerce, material publicitário para revendedores… empresas adotam estratégias para não perder clientes

 

Reinvenção. De origem latina, o prefixo ‘re’ sugere fazer novamente, tornar a inventar, buscar uma solução para um problema que exige uma nova abordagem. Esta continua sendo uma das palavras de ordem neste período de crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Empresários precisaram buscar formas de continuar no mercado, muitas vezes por novos caminhos.
Fátima Bonetti, proprietária da empresa de acessórios que leva seu nome, trabalha com a venda de bijuterias finas e semijoias de luxo e sempre usou o Instagram e Facebook para divulgar os produtos. Ela também tem loja física, além de manter parceria com duas lojas e revendedoras. Mas a pandemia trouxe diversos empecilhos.
“Desde o início, tinha a intenção de ter um e-commerce, mas a empresa que contratei não entregou e resolvi investir em revendedoras. Estava indo bem, mas com a pandemia tudo ficou difícil, e quase desisti”, conta.
Quase, mas ela não desistiu. Para divulgar os produtos e manter as vendas durante o isolamento social, Fátima contratou a influenciadora Lorena Franzoi, que tem 32,5 mil seguidores no Instagram.
“Sempre quis fazer divulgação com influencer, mas não tinha uma verba exclusiva para isso. Vi stories da Lorena falando sobre ajudar a divulgar empresas locais e fiquei interessada, porque sou fã do trabalho dela. Lembrei que no ano passado enviei umas peças de presente e ela fez uma divulgação que me trouxe várias clientes. Então resolvi investir”, conta.
A ideia surgiu em um momento de crise, mas veio para ficar, pois os resultados foram positivos. A empresária fechou contrato com a influenciadora por mais três meses. “Valeu a pena e pretendo continuar investindo em divulgação com influencer mesmo após a pandemia”, relata.
Com o ateliê fechado, Fátima também começou a estudar e se preparar para o novo cenário. “Fiz cursos online que tinha comprado, li e assisti a muitas lives relacionadas ao marketing digital e empreendedorismo. Já coloquei iniciativas em prática: o e-commerce está quase pronto e estou me preparando para o ‘novo normal’. Vamos ter que nos reinventar, estudar o universo digital, reavaliar as necessidades de clientes, fazer parcerias, encontrar mentores e investir mais em conteúdo de marca”, frisa a empresária.
Fátima acrescenta que crê na reconstrução. “Como diz o especialista em diferenciação, Pedro Superti, não podemos controlar a devastação, mas a reconstrução podemos. Quando tudo passar, e vai passar, vamos precisar elevar a nossa autoestima e autoconfiança, e a moda e os acessórios têm essa função, principalmente para a mulher”.


Treinos online e bônus
Natação, hidroginástica, hidroterapia, musculação, treino funcional, fitness, pilates, judô, programa teen para pré-adolescentes e outros. Todas as atividades da CEMS Academia ficaram suspensas por, no mínimo, dois meses. Com três unidades em Maringá, a empresa precisou buscar meios de enfrentar a crise causada pela pandemia da Covid-19. Um delas foi o uso de canais de comunicação e redes sociais, segundo a diretora comercial, Karina Miyaki da Silveira.
“Usamos e-mail, WhatsApp e redes sociais para manter o relacionamento e também disponibilizamos treinos online e atividades para as crianças manterem-se ativas em casa. Como ainda temos restrições determinadas no decreto municipal, mantemos as aulas online e emprestamos materiais sem custo aos alunos”, explica.
Além disso, a academia lançou a campanha #soualunocems, que prorrogou o plano dos alunos que permanecem ativos durante o período de isolamento social, além de oferecer bônus para alunos ativos. Dentre os bônus estão 30 dias de uma segunda modalidade de atividade à escolha do aluno, avaliação nutricional online e envio do plano alimentar e voucher de 30 dias para levar um amigo ou para treinar enquanto o filho faz aula.
Em relação aos contratos de trabalho, a CEMS usou os benefícios da Medida Provisória 936/2020. E com os fornecedores negociou prazos e carências. “Em paralelo, nos juntamos às entidades representativas, montamos uma comissão e fomos negociar a reabertura gradativa com os órgãos responsáveis. Sabemos que a retomada acontecerá de forma gradativa, e temos claro que o compromisso de retornar deve ser com segurança junto a clientes e colaboradores”, frisa Karina.
A academia reabriu em 18 de maio, já as aulas de natação e lutas retornaram em 1º de junho.


Atacado
Há 20 anos no mercado, a Via Tolentino, indústria de moda evangélica, ajudou cerca de 700 clientes do atacado a vender pela internet neste período de crise. A empresa criou um portal para compartilhar conteúdo para as redes sociais com os lojistas e ‘sacoleiros’.
No portal, imagens no padrão nacional de e-commerce da coleção com o fundo branco estão disponíveis para download, além de vídeos e descritivos de cada peça, para incrementar a operação e melhorar as vendas. Todo o material está disponível no link portal.viatolentino.com.br
“Disponibilizamos banners, fotos, vídeos, segredos de estilo, fotos de lookbook e descritivo das peças para quem já tem e-commerce, materiais de campanha e guias fashion que auxiliam na venda a distância. Também vamos promover minicursos ministrados pelos gestores da marca sobre temas ligados à venda online. Apoiamos o cliente de acordo com a estrutura atual”, explica o gerente de e-commerce, Guilherme Bernardes.
Para ele, a crise trouxe lições como a mudança nos hábitos de consumo. “As pessoas estão experimentando novas formas de comprar, e a internet é uma delas. E mais do que isso, a pandemia mostrou que é preciso estreitar laços com os clientes. Pós-venda e SAC nunca foram tão essenciais e, enquanto marca, precisamos ajudar nossos distribuidores a comercializar o produto de maneira diferente”, destaca.
Bernardes acrescenta que é momento de apoiar os pequenos negócios. “Muitos não estavam preparados para este momento, então é importantíssimo se ajudar para que todos possam sair fortalecidos. Empresas podem fazer inovações simples, estreitar o relacionamento com clientes e tornar o produto o mais acessível possível”, finaliza.

Inovação em alta favorece startups

Isolamento social e crise econômica despertam empresários e consumidores para alternativas inovadoras, favorecendo o desenvolvimento de negócios digitais  

 

Maringá figura entre as dez maiores comunidades de startups da região Sul do Brasil, segundo mapeamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). E a perspectiva, na avaliação do sócio da startup Proft, Tarik Caramanico, é que o cenário local prossiga promissor, já que a pandemia do novo coronavírus despertou os empresários para a inovação, e trouxe mudanças no comportamento dos consumidores, que passaram a experimentar soluções digitais.
Caramanico mesmo aproveitou a pandemia para disponibilizar gratuitamente, por período determinado, a plataforma de produtividade de vendas desenvolvida para atender lojas de varejo de roupas, calçados e acessórios. “É uma ferramenta que ajuda os vendedores a alcançar diariamente as suas metas e as lojas a aumentar o faturamento”, explica.
A ideia de oferecer uma solução descomplicada e acessível partiu do sócio, Daniel Malgarin. Ele é especialista em varejo e foi consultor credenciado do Sebrae quando detectou que muitas empresas passam por dificuldades em gestão de metas e por falta de tempo para orientar os vendedores. “Depois de elaborar a solução, usei minha expertise em tecnologia para formatar o produto”, explica Caramanico, citando que os sócios também contam com um programador.
Dentre as funcionalidades do aplicativo estão metas diárias recalculadas adequadamente e projeção da comissão, além do auxílio gerencial para o vendedor alcançar o objetivo do dia. Outra vantagem é que empresário e colaboradores evitam perda de tempo com relatórios e reuniões, porque a plataforma oferece automaticamente os principais indicadores da loja, inclusive com projeção de vendas e simulação de faturamento. “Dessa forma é possível estimar antecipadamente o faturamento da empresa no mês, mensurar resultados e definir estratégias para atingir a meta, que são os grandes desafios de gestores. Já o colaborador fica mais motivado em saber quanto pode ganhar se atingir as metas, e é orientado sobre como proceder para ter sucesso nas vendas”, enfatiza. Caramanico acrescenta que as empresas que utilizam a plataforma aumentam o faturamento em até 15%.
Para o futuro próximo, a startup planeja ampliar a ferramenta para outros setores, como bares e restaurantes, que apresentam características semelhantes ao varejo, com colaboradores que também têm metas de produtividade.


Aceleradora
A Proft foi desenvolvida na aceleradora Evoa no início do ano passado. “Conseguimos aprovação para o Programa de Aceleração e usufruímos de um ambiente colaborativo, que resultou em troca de experiência, conhecimento, contatos, além das mentorias e capacitações. É um apoio fundamental para as startups que estão começando”, ressalta Caramanico.
A oportunidade também levou ao conhecimento do Programa de Aceleração do Google, em São Paulo. Confiantes no potencial da startup, os empresários participaram do processo que envolveu outras 360 empresas do país e somente 21 foram selecionadas. “Em março estávamos usufruindo de muito conhecimento e networking. Pena que a pandemia chegou ao Brasil e tivemos de voltar”, lamenta.
Com a experiência no Google, os empresários detectaram que o ecossistema de startups de Maringá não perde para os grandes centros. “Aqui há qualidade de conhecimento e forte cultura de colaboração”, enfatiza Caramanico, ressaltando que a comunidade local conta com o apoio de entidades, incubadora, aceleradoras, universidades, empresas tecnológicas e eventos técnicos.


Iniciantes
O sócio da Minus Giovane Calegari concorda que o ecossistema de Maringá é forte, favorecendo o surgimento e o desenvolvimento de cases de sucesso. Apesar disso, ele comenta que teve desafios na conquista do primeiro cliente. “Há empresários que ainda têm receio de abrir as portas para uma startup iniciante, só que essa oportunidade é fundamental para o processo de aprendizagem e de validação da inovação”, afirma.
Isso, porém, pode mudar no pós-pandemia, na opinião de Calegari, já que o isolamento convenceu empresários sobre a importância das tecnologias. “Quem diria que a transformação do varejo em digital viria de uma pandemia e não de consultorias? Estou confiante que haverá muitas mudanças, sendo uma delas o aumento da demanda por inovação”.
Na Minus, a proposta é a redução das perdas de produtos por validade vencida, o que é útil para supermercados, lojas de cosméticos e farmácias. A ideia surgiu no ano passado, porque Calegari havia trabalhado em supermercado. Já o sócio, André Ajita, buscava uma alternativa para evitar o impacto ambiental e social do descarte de produtos.
Formados em Engenharia da Produção, mas sem muito conhecimento sobre startups, eles decidiram inovar. Para isso, conseguiram uma vaga no Programa de Aceleração da Evoa, no final do ano passado. “Encontramos o suporte que precisávamos. Além disso, a troca de experiência com outras startups foi tão válida que decidimos permanecer no coworking da aceleradora”, conta Calegari.
Estruturado em aplicativo, o algoritmo faz o controle de vencimento de produtos e viabiliza ações preventivas, como descontos para redução de descarte e desperdícios. Essas ofertas também podem ser anunciadas em site e redes sociais do cliente e da própria Minus. “É uma ferramenta prática e de baixo custo que tem sido efetiva para solucionar o problema”.
Com o produto definido e validado por quatro clientes, Calegari adianta que o próximo passo será a venda em escala: em breve a startup deve participar de edital para a captação de investidores.

Validação e credibilidade alavancam a fase Scale-up
Para a startup Siga Geomarketing, que atua com cruzamento de dados geográficos e econômicos, a conquista dos primeiros clientes para a experimentação do produto não foi tarefa difícil. O desafio mesmo, de acordo com o CEO Mateus Grochoski Felini, foi conseguir o primeiro cliente de grande porte para consolidar a credibilidade da startup e, assim, entrar na fase de Scale-up, que impulsiona o escalonamento das vendas.
Formado em Geografia, Felini conta que ao notar a dificuldade dos empresários em escolher um ponto comercial, teve a ideia de criar uma plataforma que permite análises de dados e diagnósticos relevantes. “São informações de diversos bancos de dados oficiais, como órgãos públicos e Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE), que permitem avaliar o perfil da população e das empresas de determinada localidade e, assim, direcionar o planejamento e as vendas”.
Inicialmente, Felini optou por desenvolver o produto sozinho, mas para agilizar o processo e ter maturação, contou com o apoio da Evoa, onde participou do Programa de Aceleração de agosto a outubro do ano passado e, depois, permaneceu no coworking da empresa. “A Siga Geomarketing cresceu mais de 200% nesse período, porque conseguimos vender para empresas grandes, o que exigiu o aperfeiçoamento rápido e uma significativa melhora tecnológica no produto”, comenta.
Atualmente, a startup atende empresas de vários estados e já negocia com investidores para alavancar o crescimento. “Antes as decisões eram pautadas em intuição, mas agora, com a plataforma, é possível e acessível fazer análise de dados para ser mais assertivo. Além disso, informações territoriais sempre serão fundamentais, porque tudo acontece em um local físico, mesmo com a existência do ambiente online”, argumenta.

Comunicação em cenários imprevisíveis

Agilidade na mudança do discurso é fundamental para mostrar posicionamento ‘humano’ e atento

 

A rapidez com que o novo coronavírus se alastrou mundo afora provocou um cenário adverso e imprevisível que exigiu das empresas a mesma agilidade para mudar o conteúdo das ações de marketing. Isso porque foi preciso manter a coerência e a relevância da comunicação com o contexto atual, e ainda adotar novas formas de trabalho, seja para sobreviver por meio de ferramentas online ou para garantir a segurança de colaboradores e consumidores com a retomada das atividades presenciais.
Uma das empresas que agiu rapidamente foi a GTFoods. Imediatamente após o primeiro caso de coronavírus registrado em Maringá, a empresa mudou o discurso de vendas para instruções preventivas contra a pandemia e intensificou a comunicação voltada aos colaboradores, fornecedores, parceiros e clientes. A medida, segundo o gerente de marketing, Hudson Delalibera, fez parte de uma estratégia fundamental para vencer a batalha contra o coronavírus por meio da informação.
“O momento exigiu foco em assuntos relacionados ao coronavírus. Entendemos que era preciso contribuir com a difusão de informações, principalmente para os colaboradores, porque uma empresa é feita por pessoas e são elas que fazem a diferença”, enfatiza Delalibera.
Enquanto a maioria das empresas reduziu custos com mídia, o grupo GTFoods reforçou o investimento em comunicação, principalmente nas redes sociais. “Até melhoramos métricas e recebemos feedback positivo do público que alcançamos, o que deixou claro que quem atua com responsabilidade socioambiental, tem a preferência dos clientes”, afirma o gerente.
Mais do que comunicar, a empresa adotou medidas de segurança para os colaboradores e movimentou a doação de 15 mil toneladas de frango e cinco mil máscaras para hospitais de Maringá e região. “Sentimos que não bastava prestar serviço informativo e preventivo, era preciso ajudar a área da saúde, e a doação foi o jeito que encontramos de contribuir”, cita Delalibera.
O gerente destaca ainda que a pandemia evidenciou a importância da tecnologia no dia a dia de qualquer negócio. “Quem utilizar ferramentas digitais para se aproximar dos clientes e oferecer soluções que atendam a real necessidade das pessoas, alcança vantagem competitiva”, completa.


Conteúdo humanizado
O discurso de comunicação da Webber Acabamentos também mudou de foco assim que a pandemia chegou a Maringá. O proprietário e diretor comercial, Otávio Henrique Baratieri Augusto, conta que a empresa se sensibilizou com a causa e assumiu a responsabilidade social de contribuir com a segurança da saúde pública.
“Nossa comunicação interna e externa se tornou mais humanizada para mostrar que nos importamos com a saúde de todos. Queríamos que as pessoas soubessem que estávamos aplicando as medidas preventivas. Sem contar que recebemos presencialmente os clientes, então todo cuidado precisou ser redobrado”, enfatiza.
Durante o isolamento social, o empresário informa que as ações de comunicação foram feitas em televisão, mídia que já era utilizada. Com a retomada das atividades, a aposta foi nos meios digitais, como Instagram, Facebook e Youtube. “As pessoas estão online, então migramos boa parte do investimento para essas plataformas e os resultados, tanto na TV quando nos canais digitais, estão sendo positivos no sentido de reforçar nosso posicionamento e marca”, comenta.
A Webber também fez ações promocionais para incentivar as vendas e adotou medidas para cumprir o decreto municipal e evitar aglomeração no estabelecimento. “Liberamos apenas um acesso à loja, exigimos o uso de máscara e impedimos a entrada de pessoas do grupo de risco”, cita, ao acrescentar a lição que ele tira desta experiência: “as empresas precisam estar preparadas para enfrentar crises ou situações inesperadas dessa proporção, senão o risco de fechar as portas é alto”, conclui.

 

Marketing Human to Human ganha força

Mais do que uma mudança temporária de discurso na comunicação para expressar empatia e cuidado com a saúde pública, o especialista em Mercado Digital e CEO da Digo Digital 360, Diogo Reis, afirma que a pandemia contribuiu para impulsionar o modelo de Marketing Human to Human (H2H). “É uma tendência que está ganhando força por levar em consideração as pessoas e as relações humanas e, por isso, cria proximidade para construir relação de confiança”, explica.
Reis explica que embora vivamos na era digital, as pessoas continuam valorizando o relacionamento, já que as tecnologias não substituem essa característica humana. Tanto que a estrutura dos canais digitais propõe o marketing colaborativo para promover a troca de conteúdo, de ensinamentos e de cuidado com as pessoas, e não apenas o apelo de compra e venda. “Só que não precisa deixar de vender para informar ou prestar serviço, principalmente em tempos de pandemia em que todos precisam retomar o faturamento”.
Com ações mais humanas, Reis argumenta que é possível conquistar a empatia e o engajamento do consumidor, que se sente respeitado, compreendido e, por isso, fica mais à vontade para efetivar a compra. “Adequar rapidamente o discurso, principalmente em situações inesperadas como a da pandemia, é fundamental para reforçar o propósito da marca e revelar o posicionamento de contribuição social, porque mostra que a empresa não tem apenas interesse em vendas”, enfatiza.
Outra vantagem resultante da pandemia, na avaliação do especialista, é despertar as empresas para repensar processos de gestão, marketing e comunicação. “Tem muito empresário que tende a se preocupar só com a mensuração de resultados, mas nem sempre os números representam o bom relacionamento da empresa com o público. Este período foi um despertar para a importância de desenvolver novas estratégias”.
Entre as mudanças significativas está justamente que o modelo H2H pode ser aplicado sem romper os padrões Business to Business (B2B) e Business to Consumer (B2C) - que estiveram em alta nos últimos anos em canais online e offline. “As empresas que incluem o modelo Human to Human em seus processos de compra e venda certamente conquistam importante diferencial”, garante.

 

Como estar preparado para situações inesperadas?

Conhecer o cliente: identifique a persona - o cliente ideal para o seu negócio - por meio de questionários ou ferramentas digitais que permitam levantar dados e mensurar resultados. Além disso, fique atento às mudanças de comportamento do consumidor
Conhecer a ‘dor’ do cliente: não basta vender produtos ou serviços, é preciso identificar a razão pelo qual o cliente busca a empresa. Ao verificar a persona, a empresa também deve se atentar aos pontos de ‘dor’ do cliente, ou seja, para as soluções que buscam no negócio
Canais de atendimento: oferecer canais de atendimento para satisfazer as diferentes preferências e perfis de consumidores. Por exemplo, alguns optam por online, outros presencial, por aplicativo e há quem goste de receber ligação telefônica
Sistema de gestão: é importante não só para o controle do negócio, mas para obter um banco de dados útil para o marketing. Com o cruzamento de informações é possível saber, por exemplo, as preferências do cliente, com que frequência ele compra, data de aniversário, se tem filhos, entre outros itens que facilitam aplicar a proposta de relacionamento
Expertise e agilidade: agilidade e expertise são fundamentais para bons resultados. Por isso, os micro e pequenos empresários, que geralmente acumulam funções, devem permanecer atentos à necessidade repentina de mudança das ações de comunicação. Já as empresas que têm o marketing estruturado devem se atentar para acompanhar as tendências em comunicação e evitar ações ‘robotizadas’.
Fonte | Administrador e especialista em mercado digital Diogo Reis

Consumidor mais consciente e conectado

Para cativar, empresas devem ter propósito e oferecer comodidade; isso se traduz em vendas por aplicativo, drive thru, aulas online e até tapetes para aulas de dança em casa 

 

O ‘novo normal’ - expressão usada exaustivamente nos últimos meses para descrever o cenário de readequação da sociedade em meio à pandemia da Covid-19 – mudou os hábitos de consumo, mas não a preferência dos consumidores por experiências empáticas e úteis com as marcas e empresas. Pelo contrário, o nível de exigência durante a jornada de compra está mais alto.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que os consumidores estão atrás de uma conexão real com o produto ou serviço. E essa conexão começa com o alinhamento de valores e posicionamento das marcas em relação a temas sensíveis à vida em sociedade, como isolamento social e sustentabilidade.
“O consumo consciente vem crescendo neste momento e permanecerá no pós-Covid. Os consumidores estão mais críticos e preocupados com a transparência das empresas em relação aos processos de produção, logística e cuidados com os funcionários. Empresas movidas por propósitos e não apenas voltadas para o benefício financeiro se destacarão”, adianta o consultor em Gestão de Pessoas, Leandro Dias Lourenço.
Quem também deve se beneficiar com o surgimento deste ‘novo consumidor’ são os pequenos comerciantes. Os mercados e quitandas de bairro, que por vezes eram opções para compras pontuais ou de produto específico, tornaram-se pontos de referência devido à proximidade das residências e às campanhas em defesa dos pequenos negócios. “Este é o momento para cativar o consumidor que não costumava frequentar o estabelecimento e criar vínculos que podem durar muito tempo”, diz o consultor. Para isso, vale a pena investir na divulgação em redes sociais e no WhatsApp.
Este também é o caminho para aqueles que viram seus produtos e serviços caírem na lista de prioridades dos consumidores. Itens de moda, beleza e eletrônicos perderam espaço para produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza. Nos setores mais afetados, adiantam os especialistas, será preciso se reinventar.
“Não dá para negar o impacto que estamos vivendo, mas é possível alterar a estratégia de gestão e criar produtos, alterar a forma como a empresa disponibiliza o atendimento, estudar alternativas”, garante o consultor Jonathas Corradi, da área de Gestão da Inovação e Experiência do Cliente.


Comodidade e segurança
Como forma de prevenção ao novo coronavírus, os consumidores estão planejando as compras, pesquisando as ofertas, reduzindo a frequência e tempo em lojas físicas, buscando resolver necessidades com praticidade e segurança. Mesmo após a reabertura do comércio, muitos têm evitado as lojas físicas e recorrido ao e-commerce na hora de fazer as compras. “As pessoas estão mais conectadas, tentando viver ‘normalmente’  por meio das ferramentas online”, analisa Lourenço.
Este novo cenário obrigou quem ainda não estava na internet a correr para disponibilizar esse canal de venda. Quem já estava, precisou fazer ajustes. Neste momento, segundo os especialistas, os consumidores esperam uma experiência de compra fácil, com opções simples de autoatendimento, principalmente aqueles que estão descobrindo os canais online.
Por isso, é importante redefinir o envolvimento digital da empresa com os clientes. Isso consiste, por exemplo, em otimizar o site com ferramentas de autoatendimento, introduzir chatbots e bate-papo para fornecer experiência consistente e de qualidade para os compradores.
“Muitos negócios falham porque não sabem identificar os clientes ideais. Entender o comportamento do consumidor é o primeiro passo para definir as estratégias, canais e linguagem adequada. O ideal é criar sua persona por meio de entrevista virtual, utilizando aplicativos como WhatsApp, Telegram e Instagram”, orienta Lourenço.
Outra possibilidade é a plataforma Google Forms. Uma ferramenta simples, baseada em Inteligência Artificial, como um widget de perguntas frequentes, também pode ajudar a rastrear as preocupações e necessidades dos clientes.


Vale a experiência
Para Corradi, o ponto principal é que os consumidores buscam não apenas um produto, mas comodidade e experiência simples de compra que pode ser feita online, presencial ou em ambos.  “A abordagem de vendas antigas em que o vendedor somente se preocupava em empurrar o produto não tem funcionado há muito tempo. O comprador tem acesso a informações e seu poder de compra e negociação estão qualificados”.
Na opinião do consultor, o gestor ou vendedor deve se interessar verdadeiramente pelo cliente e buscar conhecer sua necessidade, para ofertar aquilo que faça sentido. “Seja flexível em perceber a necessidade do cliente e rápido para atendê-la, pois o mercado está se profissionalizando e quem não estiver preparado, poderá ficar para trás”.
Demonstrações de empatia são fundamentais. “Tenho visto consumidores postando o pedido recebido de um restaurante que mandou um brinde ou colocou uma frase de esperança, marcas que estão atendendo gratuitamente ou oferecendo degustação para clientes. Quando se fala em experiência do cliente, é preciso observar os detalhes. O empreendedor deve identificar o que faça sentido para seu público e trabalhar com esses detalhes para encantá-lo”, ensina Corradi.
Uma tendência do ‘novo normal’ são os infoprodutos, isso é, “empresas fazendo lives, academias criando grupos exclusivos de interação digital e empresas oferecendo ou vendendo conhecimento por meio de plataformas digitais”, cita o consultor.
Outra possibilidade na gastronomia é a co-participação dos clientes na elaboração dos pratos. “Restaurantes que apenas preparavam e entregavam por delivery, agora estão preparando pratos exclusivos com a co-criação de cliente, pizzaria continua entregando, mas também entrega os ingredientes para o cliente preparar e customizar a pizza em casa”, exemplifica Corradi.


Na porta de casa
Fazer o produto chegar ao consumidor foi a maneira encontrada por lojas para manter as atividades, especialmente no período em que foram impedidas de funcionar por força de decretos municipais.
Esta foi a estratégia das oito lojas da rede O Boticário em Maringá - seis em shoppings e duas de rua – que, assim como o comércio da cidade, precisou fechar as portas em 20 de março. Sem a possibilidade do atendimento presencial, o jeito foi recorrer à tecnologia e ao serviço de delivery.
As equipes de venda reforçaram a divulgação das promoções pelos grupos de WhatsApp e nas redes sociais. “Essa divulgação já era feita, mas foi intensificada pelas circunstâncias”, explica a gerente de uma das lojas, Elaine da Palma Vedovato.
E se antes a mensagem era um convite para o cliente visitar a loja, agora destacam os descontos e a possibilidade de entrega em casa. E o serviço vem sendo mantido mesmo após a reabertura – com restrições – das lojas. “Voltamos a funcionar presencialmente, seguindo as regras de higienização e horários, mas tem cliente que não pode vir à loja por restrições ou faz parte de grupos de riscos, e por isso decidimos manter o delivery”, ressalta.
O serviço é feito por motoboys. E, segundo a gerente, o tempo de espera é curto. “Na semana do Dia das Mães a demanda foi grande, então o prazo foi um pouco maior. Geralmente a entrega é feita no mesmo dia da compra”, assegura.
Outra possibilidade disponibilizada pelas lojas em shoppings é o drive-trhu. Nestes casos, as compras são fechadas por canais online e a entrega é feita na porta ou estacionamentos dos shoppings.
Elaine explica que as mensagens enviadas para o WhatsApp são direcionadas para as consultoras das lojas. São elas que conversam com os clientes, fotografam os produtos, dão opções de compra e divulgam as promoções. “Tal como na loja física, as consultoras assumem as vendas no online, embalam e enviam para o cliente”.
Mas o atendimento não termina aí. Há preocupação em saber como os produtos chegaram ao endereço e a satisfação com o serviço. “O pós-venda também era feito antes da pandemia e agora foi intensificado”. Elaine ressalta que o omnichannel é uma estratégia consolidada na rede e deve ser fortalecida no pós-pandemia. E uma das novidades é o 0800 que direciona as chamadas para as equipes locais. “Mesmo com a distância física, o atendimento por uma consultora que está na mesma cidade do cliente deixa a relação mais próxima”.


Dança a distância
Os saltos e rodopios são mais contidos no espaço físico improvisado em casa. O encosto da cadeira faz as vezes da barra de exercícios. E por questões de segurança até a sapatilha precisa ser substituída por tênis para os exercícios de ponta. Os desafios impostos pelo isolamento social são inúmeros, mas não impedem as alunas da Alma Bailarina Escola de continuarem dançando.
Com a suspensão das aulas presenciais, a escola migrou para o modelo de ensino a distância. “Foi a maneira que encontramos para atender as alunas e manter a escola aberta”, diz a diretora Beatriz Singh Galles.
Inaugurada em 2017, a Alma Bailarina oferece aulas de ballet clássico para crianças e adultos. Este ano foram abertas turmas de hip hop, sapateado, jazz, zumba e ioga. Antes da pandemia, eram 250 alunos. “Tivemos desistências, naturalmente. Algumas motivadas por questões financeiras, mesmo com os descontos concedidos. Outras pela dificuldade das aulas online, principalmente nas turmas iniciais. É compreensível porque para crianças entre três e nove anos a diversão é vir à escola encontrar as amiguinhas. Ficar à frente do computador é penoso”, reconhece a diretora.
O tempo e a frequência das aulas variam de acordo com o nível das turmas, e foram ajustados a partir de feedbacks dos pais e alunos. O babyclass, por exemplo, tem duas aulas semanais de 30 a 40 minutos, sendo uma ao vivo e outra gravada. Já para as turmas a partir de nove anos, são entre duas e três aulas por semana, transmitidas ao vivo por meio de um aplicativo de videoconferências. O mesmo utilizado para os encontros diários da professora com as bailarinas que estão prestes a se formar.
“No presencial as turmas avançadas têm aulas de segunda-feira a sábado e felizmente estamos conseguindo manter essa carga horária no online”, diz Beatriz.
Para isso, a escola precisou investir na contratação do serviço de videoconferência. “No início usávamos o pacote gratuito da plataforma, mas o tempo era limitado, precisava reconectar e perdíamos parte da aula”.
Outra preocupação da diretora são os riscos de lesões pela prática da dança em pisos inadequados. Para evitar escorregões, a sapatilha de ponta foi substituída por tênis para a execução de determinados passos. Já o problema da falta de amortecimento foi amenizado com a distribuição de pedaços de linóleo - uma espécie de piso flutuante.
“Recentemente reformamos a escola e trocamos o revestimento das salas. O linóleo retirado estava guardado, decidi cortar em pedaços e distribuí-los”, conta Beatriz, ressaltando que para evitar aglomeração a entrega dos ‘tapetinho’ ocorreu por sistema drive thru.
Diante do novo cenário, a diretora também sentiu necessidade de inovar e organizou sessões online de cinemas. Todas as quartas-feiras, os alunos se reúnem virtualmente para assistir a espetáculos de papel, que contam com a tradução e comentários de Beatriz. “É um programa para toda a família que tem sido elogiado pelos pais. É uma forma de criarmos vínculos com os alunos”.

Quarta onda da pandemia será de transtornos mentais

“Não é o momento para fantasiar que vamos usar este tempo para trabalhar e fazer um monte de coisas. Isso não é possível porque não se trata de uma pausa planejada”, afirma o psiquiatra Táki Cordás sobre o isolamento social causado pelo novo coronavírus

 

Engajar-se em iniciativas solidárias e colocar as habilidades a serviço do outro é a fórmula indicada pelo psiquiatra Táki Cordás para preservar a saúde mental durante o período de isolamento social. “Para ser mais resiliente, a melhor forma é ajudar os outros”, decreta o médico, que coordena a Assistência Clínica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 
De acordo com Cordás, “vale a pena cuidar e proteger os outros, participar de campanhas filantrópicas e ter responsabilidade social e política para proteger a saúde pública”.
A recomendação vem acompanhada da preocupação com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria que apontam aumento de casos de transtornos mentais e agravamento de pacientes em tratamento. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) fala no surgimento da ‘quarta onda’, que é a das doenças mentais, como resultado dos impactos que a pandemia de novo coronavírus traria nos atendimentos e na saúde mental da população.

 

Isolamento social, medo, mudança nas relações sociais. É possível dimensionar os impactos disso na saúde mental?
Existem levantamentos internacionais e mais recentemente nacionais apontando que dois terços da população terão algum transtorno passageiro ou duradouro. Um estudo inglês fez revisão de todos os efeitos psiquiátricos durante pandemias, a da Covid e as anteriores de Ebola e Sars. Os dados mostram que as equipes médica e de enfermagem são as que mais padecem de estresse agudo, quadros de depressão e estresse pós-traumático. Os psiquiatras, por meio da Associação Brasileira de Psiquiatria, têm registrado aumento no número de pacientes com transtornos psiquiátricos e piora no quadro de 70% dos pacientes em tratamento. Por isso, já se fala em uma quarta onda após a pandemia, que seria uma verdadeira pandemia de transtornos psiquiátricos.


E como esses transtornos se manifestam?
Para quem tem um quadro psiquiátrico, há elevadíssimo risco de reagudização. Todos os transtornos são afetados numa situação como esta e os riscos de recaída e agravamento são grandes. O estresse pode piorar episódios de depressão, pânico e transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Pessoas com Transtorno Compulsivo Obsessivo (TOC), que têm rituais de limpeza, estão padecendo com a pandemia. E quem não tem quadro psiquiátrico prévio, precisa ficar atento ao surgimento de ataques de pânico, episódios de irritabilidade, redução do ânimo e da disposição, ansiedade, perda da concentração. São todos sinais iniciais de um quadro psiquiátrico. 

 

Como saber quando é hora de procurar ajuda profissional?
O momento de procurar ajuda é quando se percebe que ocorre sofrimento, quando não se consegue controlar esse sofrimento e ele está atrapalhando o sono, o apetite e as relações interpessoais. É hora de buscar ajuda quando o humor, apesar de tentativas de mudanças de ambiente, não melhora ou piora. Costumo usar um conceito existencialista de perda da liberdade de escolha. Enquanto há liberdade de escolha para comer, dormir, sorrir, brincar ou trocar de canal, ou seja, consigo reagir ao humor mais depressivo. Perder a liberdade ou dar respostas rígidas às situações indicam que é preciso ajuda. O psiquiatra é quem pode fazer um diagnóstico e identificar um quadro de uma doença instalada ou uma situação transitória que mereça outro tipo de terapia. 

 

O número de divórcios e casos de violência doméstica aumentou no período de isolamento social. Como lidar com a rotina doméstica e a intensidade das relações dentro de casa?
Registros de violência doméstica são algo endêmico no nosso país, infelizmente. O isolamento social faz com que vítimas e algozes compartilhem o mesmo espaço por 24 horas, aumentando a tensão. Já em relação aos divórcios, quando a convivência de casal começar a ficar ruim, é hora de abrir um pouco a guarda e tentar discutir a relação. É bastante saudável sentar para jantar e assistir um filme juntos. Mas também há momentos em que é bom fazer uma tarefa sozinho, ler um livro em algum canto da casa. 

 

Há quem diga que o pior da pandemia se dará na saúde mental. O senhor concorda?
Um estudo inglês apontou duas condições importantes como atenuadores ou agravantes da saúde mental. O que vai acontecer com a nossa cabeça, a intensidade, gravidade e frequência dos transtornos dependerá, em parte, de quanto tempo vai durar o isolamento social. Quanto mais se prolongar, maior será o número e a intensidade dos transtornos psiquiátricos. O outro fator é que o governo central deve dar mostras à população de que conhece o caminho, está regendo adequadamente todos os órgãos de saúde. O governo precisa se mostrar efetivo e presente para dar segurança à população. 

 

É possível dizer se haverá uma faixa etária mais impactada?
Estamos preocupados com a infecção das crianças, mas não estamos pensando na repercussão emocional. O aprendizado de muitas dessas crianças estará defasado após o fim do isolamento. Cerca de 20% delas não poderão voltar a estudar porque serão jogadas no mercado de trabalho para ajudar os pais. Os idosos também serão bastante afetados em função não só da solidão, mas do temor. Casas de repouso tornaram-se lugares de periculosidade. Crianças mais facilmente, idosos com mais dificuldade, a verdade é que todos teremos que nos adaptar ao novo normal, que será um normal de afastamento, distanciamento, mais solidão, medo e grandes perdas. Haverá uma grave crise social com a perda de empregos. E não dá para pensar em saúde mental desvinculada de questões como desemprego, declínio social e econômico, que infelizmente virão de maneira ameaçadora.

 

Há pessoas mais produtivas durante o isolamento, outras estão apáticas. Esse comportamento é reflexo do que elas são no dia a dia ou houve mudança diante da dificuldade?
Algumas pessoas estão mais produtivas, mas não é o momento para fantasiar que vamos usar este tempo para trabalhar e fazer um monte de coisas. Isso não é possível porque não se trata de uma pausa planejada, é uma pausa forçada acompanhada de temor e medo diante da realidade. Estou bastante produtivo, continuo atendendo, dando aula, escrevendo artigos e livros. Mas como sou uma pessoa de hábitos caseiros, ficar em casa é um prazer, porque felizmente vivo bem. Esta não é a situação da maioria da população. Então as pessoas terão que se perdoar porque não dá para ser produtivo o tempo todo.

Sem desculpas para a inovação

Para o especialista em inovação Arthur Igreja, pandemia tirou empresas do estado de negação sobre as mudanças que estão em curso e foram aceleradas

Em tempos de isolamento social por causa da pandemia da Covid-19, as tecnologias assumem o papel de protagonistas na busca por soluções para as situações inéditas vivenciadas pelos negócios. “Se a pandemia tivesse acontecido há 20 anos, estaríamos completamente paralisados”, afirma o engenheiro mecatrônico Arthur Igreja, ao destacar a importância da tecnologia e da inovação neste momento de crise.

Especialista em inovação, Igreja diz que a tecnologia e a inovação têm ajudado a mitigar os impactos da crise ao permitir a manutenção das atividades e oferecer alternativas aos modelos tradicionais de negócios. “Quem estava mais bem posicionado em relação à tecnologia, está mantendo as atividades. Ninguém imaginava algo desta magnitude, mas é o cenário atual e precisamos buscar novos caminhos”.

Igreja é autor do livro ‘Conveniência é o Nome do Negócio’ e tem certificações executivas nas prestigiadas universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e em Cambridge, Inglaterra. Atua profissionalmente em mais de 25 países, ministrando mais de 150 palestras por ano no Brasil, EUA e Europa. Confira:

Bancos e consultorias revisaram para baixo as projeções do PIB brasileiro de 2020 por causa da pandemia. Caminhamos para um cenário de recessão econômica?

A China registrou a maior queda em 30 anos e os Estados Unidos teve mais de 4% de contração no primeiro trimestre. E lembrando que até fevereiro as coisas funcionaram razoavelmente dentro do normal. A perspectiva para o segundo trimestre é ainda pior. No Brasil o efeito só está um pouco retardado porque começamos a parar na metade de março. O primeiro trimestre das empresas será quase normal, a paulada virá no segundo. E o Brasil já vinha numa marcha lenta. O Paraná está mais protegido por causa do agronegócio, mas a recessão é certa e inevitável.

Empresas tiveram que se reinventar em dias. Dá para tirar alguma lição positiva destes dias difíceis?

Quase todo mundo sabia quais eram as tendências, mas muitos relutavam em acreditar que elas estavam realmente acontecendo. Diziam: ‘não é tão rápido, isso não é no Brasil ou na minha região’. E agora ficou gritante e explícito que quem está mais digital e acreditou nestas tendências, se salvou. Agora não tem mais desculpa para não inovar em determinados aspectos do negócio, não se mexer. Acho que isso é bom porque tira as pessoas de um estado de negação.

O e-commerce fica fortalecido ou a tendência é que pós-pandemia o consumidor se volte para a experiência de consumo?

O e-commerce ocupava algo entre 4% e 7% do varejo tradicional e movimentava cerca de R$ 75 bilhões. Agora temos cerca de 40% de novos compradores na internet, gente que nunca tinha comprado online. Este é um hábito que veio para ficar. Teremos uma economia muito mais digital durante e na saída disso tudo.

A crise traz oportunidades. Esta é uma frase comum nos períodos de crise econômica. Se aplica neste momento?

A crise não traz oportunidades, traz problemas. As pessoas criam oportunidades, e claro que isso está acontecendo. Temos setores que estão crescendo. Tem empresa exportadora que vai se beneficiar, assim como empresas digitais que têm a ferramenta certa e necessária neste momento. Vai ter muito modelo de negócio que será criado agora. Se existe uma certeza é que, historicamente, uma grande geração de empreendedores e novos modelos de negócio surgem por causa de uma ruptura. Ruptura porque as pessoas precisam colocar em prática toda sua criatividade e inovação, e os consumidores estão abertos a novos hábitos e dispostos a provar soluções.

As marcas podem usar este momento para se fortalecer?

Com certeza. Temos um novo arranjo entre as marcas mais lembradas e mais queridas, que são aquelas que agiram melhor em época de crise e não ficaram forçando a mão para voltar o negócio a todo custo. Há dois extremos. De um lado temos marcas que estão enfrentando crises de imagem porque não conseguiram ter empatia, não conseguiram entender o momento. Do outro lado, estão as empresas que se voltaram para ajudar o outro e a sociedade. A pandemia passa, os relacionamentos e as atitudes durante este período são marcantes e ficam.

Quais devem ser os impactos no mercado de trabalho?

O lado dos trabalhadores sai fragilizado, com menos relações tradicionais de trabalho, mais freelancers, autônomos e informais, bem como mais plataformas conectando oferta e demanda. Mais desprotegido do ponto de vista trabalhista, o trabalhador vai topar condições de emprego para sobreviver e relações mais digitais, com home office e produtividade remota. Nas empresas haverá a quebra de uma série de paradigmas. Muitas não confiavam em home office e de repente, forçosamente, tiveram que experimentar e estão vendo que funciona. Essas mudanças trarão aspectos positivos, porque as pessoas serão mais produtivas, terão mais tempo, haverá menos trânsito e poluição.

No Brasil, a previsão é que a pandemia ainda atinja seu pico em maio e junho. Quais cenários podemos traçar neste período?

É uma doença inédita, com consequências inéditas e características locais importantes em termos de disponibilidade de atendimento e pirâmide social. Cada país, estado e município têm uma situação única. O comportamento das pessoas também muda esta dinâmica, assim como o suporte dado pelo governo. Se há mais medidas econômicas, as pessoas podem se resguardar. Se não tem suporte do governo, elas têm que ir às ruas, e isso aumenta a contaminação. O modelo que responde bem hoje, semana que vem pode ser risível. Existem projeções mais favoráveis para o final de maio e início de junho, mas qualquer um que esteja cravando uma data estará se expondo ao ridículo. É como tentar acertar a cotação do dólar, é muito difícil. O momento é de resiliência, disciplina e cuidados para encontrar maneiras de preservar o caixa da empresa. É a estratégia do camelo: salvar o máximo de água no deserto, ficar quietinho na sombra e entender que num segundo momento é hora de correr. Importante ter esta compreensão que é um momento mais complexo do que a maioria está conseguindo compreender. Mas terá uma saída, espera-se que em breve, e aí teremos que reconstruir os danos.

 

Posicionamento de marca em tempos de pandemia

Períodos de crise evidenciam falta de propósito e comunicação desconexa com o público; ferramentas gratuitas ajudam a medir audiência e engajamento Um dos grandes desafios das empresas é comunicar-se com o público de forma assertiva e construir uma imagem consistente. Especialmente em tempos de crise, como a da  pandemia do novo coronavírus, não é o cliente que deve buscar informações sobre o posicionamento de uma marca, mas a marca que deve comunicar isso. De acordo com a consultora em Gestão de Marcas, Daniela Martins Barbosa, três pontos são fundamentais nesse processo de posicionamento: propósito, relacionamento e papel do marketing. “Tudo começa antes da crise. Se o empreendedor está com dificuldades de posicionar a marca e se relacionar com o cliente, é porque esses pontos, até então, não tinham sido trabalhados, e o isolamento social gerado com a pandemia trouxe esses questionamentos”, explica ela, que integra o Núcleo de Marketing do programa Empreender da ACIM. De acordo com Daniela, ter propósito é crucial para a boa reputação em qualquer período, de crise ou não. A partir do propósito, alinham-se os objetivos estratégicos da empresa. “Descobrir o propósito traz clareza e autenticidade à comunicação. Sem isso, a marca pode ser guiada pela opinião pública, onde as pessoas vão julgar, a partir das próprias percepções. As grandes empresas começaram pequenas, e cresceram porque definiram, no passado, o propósito”, destaca. “Pessoas querem consumir produtos de marcas que estão mudando o mundo de alguma forma”, completa. Identificação do público O relacionamento é o segundo ponto crucial para o posicionamento, e envolve pesquisa de comportamento do público, identificação do cliente ideal (persona), desenvolvimento de ações de relacionamento, envolvimento com parceiros e construção de reputação. Neste ponto, as redes sociais são aliadas da comunicação. “Ações de relacionamento requerem conhecimento profundo dos desejos, necessidades e interesses dos clientes. Sem estudar esses pontos, a estratégia será pouco consistente. Quando a marca deixa de se relacionar e se posicionar, tanto o cliente quanto o mercado têm dificuldade de se conectar”, afirma a consultora. O terceiro ponto, e não menos importante, é entender o papel do marketing na empresa, que deve ser alicerçado a uma macroestratégia. Gerir uma marca requer estudo minucioso da história da empresa, objetivos estratégicos do negócio e dos CEOs, aliado a informações internas que estão ligadas às pessoas, processos, produtos e serviços. “Na linha de frente da comunicação estão as áreas de jornalismo, relações-públicas e publicidade e propaganda, agindo de forma integrada para comunicar o posicionamento, e só depois vem o marketing e seu universo onicanal. Todas essas áreas deveriam funcionar de forma integrada, mas algumas empresas insistem em apostar apenas no marketing, principalmente o digital, sem ter um planejamento regido pela gestão de marca”, enfatiza Daniela. Indicadores O publicitário Guilherme de Almeida Correia, especialista em Gestão Estratégica de Marketing e Vendas, reforça a importância de indicadores de performance para verificar o impacto e engajamento do público. São eles: nível de engajamento do público com os anúncios, compartilhamentos e marcações de pessoas, análise do caminho do público para chegar ao conteúdo ou anúncio e depoimentos de clientes nas redes sociais e via WhatsApp. “Para um bom posicionamento, é necessário ter informações relevantes sobre como os clientes enxergam seu negócio e como é o engajamento do público com ações de mercado. Isso vai direcionar o melhor caminho na construção de valor da marca”, comenta Correia. Novas demandas Estar atento ao público e suas demandas também é uma porta para novos negócios. Durante a pandemia da Covid-19, a Agência Gene, especializada na criação de marcas, fechou um contrato com um cliente de Rondonópolis/MT para criação de uma marca de um supermercado online. De acordo com o publicitário e diretor de contas, Thiago Oliveira Verri, o cliente relatou que sempre pensou em empreender no mercado alimentício, e com a quarentena enxergou a possibilidade de investir. “Acredito que o isolamento criou demandas que eram pouco comuns e se tornarão comodidades e novas maneiras de consumo. Nesses momentos fica mais evidente que empreender não é apenas montar um negócio e atender os clientes. Quem consegue se adaptar e superar as dificuldades, se fortalece e aprende muito”, destaca Verri. Ele ressalta que é importante buscar conhecer os clientes, suas preferências e necessidades não só em momentos de crise. “Só assim consegue-se entender os clientes e trazer soluções e experiências incríveis que vão fortalecer a marca”, finaliza.    

Os negócios durante e pós-pandemia

Covid-19 antecipa mudanças, altera comportamentos e condiciona sobrevivência de empresas à capacidade de inovar e se adaptar ao novo tempo, ainda marcado por incertezas O mundo não é mais o mesmo. O novo coronavírus gerou uma crise global inédita e de efeitos ainda incertos. Em poucas semanas, o mundo sofreu transformações que levariam anos para acontecer, e a principal delas é a ‘virtualização da vida’. A pandemia da Covid-19 antecipou mudanças de comportamento em curso, como o trabalho remoto, educação a distância e compras online. Também está fortalecendo valores como solidariedade e empatia. Na área econômica, os efeitos da crise sanitária são mais catastróficos. Praticamente todos os países sofreram a interrupção da cadeia produtiva, ocasionando drástica redução das demandas em produtos e segmentos. Milhares de empresas fecharam as portas e postos de trabalho foram extintos causando prejuízos incalculáveis até o momento mundo afora. No Brasil, as projeções do Banco Mundial estimam retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%. Se confirmada, será a maior retração desde 1962. “Ainda é impossível quantificar numericamente os efeitos econômicos, mas seguramente podemos afirmar que são e serão, não somente para economia brasileira, mas mundial, devastadores”, afirma Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValerio – associada à Fundação Dom Cabral. “Antes de vivenciarmos os efeitos do isolamento social a que estamos sendo submetidos, começamos a sentir os efeitos econômicos, por meio das paralisações na cadeia industrial chinesa, afetando as empresas brasileiras que dependiam da compra e recebimento de insumos de produção chinesa”, completa. Uns mais e outros menos, a certeza é que todos os segmentos estão sendo impactados direta ou indiretamente. Entre os mais afetados estão os setores aéreo, turismo, eventos, academia, automotivo, entre outros. O comércio varejista também está na lista, uma vez que os pequenos empreendedores são responsáveis por uma fatia expressiva do segmento no país, e com o fechamento ou funcionamento parcial, registram queda substancial no faturamento. “Os setores mais impactados são aqueles cujos produtos ou serviços não representam uma necessidade imediata, e isso não se caracteriza como uma situação particular diante da pandemia. Trata-se de algo que ocorre em períodos de crise ou dificuldade econômica, onde os consumidores tendem a ser mais racionais e objetivos em suas compras. No caso da situação que estamos enfrentando ocorre um agravamento, inclusive por conta de restrições de deslocamento e de ocupação do espaço público”, explica o professor de Administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e doutor em Ciências Sociais, Francisco Giovanni David Vieira. Os especialistas preveem tempos diferentes de retomada das atividades, tanto durante a pandemia como no pós. O setor de entretenimento - que engloba viagens, cinemas, teatro e eventos – deve ter recuperação lenta e longa em função do receio da população em relação à possível contaminação até que seja descoberta uma vacina. Já alguns que registram forte abalo no momento, poderão ter uma rápida recuperação pós-crise, registrando inclusive momentos de pico no consumo, de acordo com os especialistas. É o caso dos eletrodomésticos, salões e produtos de beleza, confecções, calçados e acessórios em geral. Grandes x pequenos Embora todos estejam sujeitos aos efeitos da pandemia, os especialistas preveem danos maiores às pequenas empresas. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em março constatou que 89% das micro e pequenas empresas brasileiras registraram queda de 69% no faturamento, e 36% dos empreendedores sentiam-se ameaçados de terem de fechar seus negócios permanentemente, caso o isolamento social se estendesse por mais de um mês. Segundo o consultor do Sebrae, Wendell Gussoni, os pequenos negócios têm, em média, caixa para aguentar 23 dias fechados, diferente das grandes empresas que possuem um caixa mais resistente. “Vale lembrar que os pequenos negócios são 99% dos empreendimentos do país e geram mais da metade dos empregos formais, acrescendo a isso o fato de grande parte dos fornecedores das grandes empresas ser de pequeno porte. São empresas que enfrentam mais dificuldades em praticamente todos os sentidos no dia a dia, e em uma situação de pandemia, isso apenas tende a se agravar. Basta mencionar que os pequenos ainda não estão completamente integrados ao universo online e não adotam sistemas de delivery na mesma escala que negócios com operações de maior porte”, menciona Vieira. Mais suscetíveis e sem recursos para criar alternativas, a sobrevivência é um desafio enorme. “Em muitos casos, perder R$ 2 mil de faturamento significa mais que a perda de milhões para as grandes organizações”, compara Oliveira. Manual de sobrevivência Especialistas afirmam que é possível sair da crise sem ‘quebrar’, mas para isso é preciso dinamismo extra e muito planejamento do micro ao grande empresário. O primeiro passo é dimensionar os custos e fazer um planejamento frente ao faturamento atual. Em seguida, é preciso reduzir os gastos supérfluos, tanto na empresa como na vida pessoal. “Aspectos extremamente importantes, mas muitas vezes relegados para um segundo plano, como capital de giro e fluxo de caixa das empresas, precisarão ser observados com mais atenção”, destaca o professor da UEM. Negociações com fornecedores e parceiros para reduções de aluguéis e prazos, assim como com clientes e agentes financeiros para alongar prazos de financiamentos e de entregas são fundamentais. A Federação dos Bancos (Febraban) apresentou a adesão dos cinco maiores bancos do Brasil - Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander e Caixa - ao processo de prorrogação, por 60 dias no mínimo, do vencimento de dívidas. “Algumas dessas instituições concedem prazos de prorrogação e taxas de refinanciamento até melhores negociando pontualmente com cada cliente”, diz Oliveira. Outra dica é reavaliar as condições de trabalho de colaboradores. Dá para reduzir custos adotando regime de home office. Já a Medida Provisória 936 estabeleceu possibilidades diretas de renegociação entre empregador e empregados, permitindo redução de jornada e salários por tempo determinado e a suspensão de contratos de trabalho também por um período. Os especialistas orientam ainda ficar atento às linhas de crédito para captação de recursos em condições especiais, com taxas reduzidas e prazos de carência estendidos, seja para financiar folha de pagamento, fortalecer capital de giro e até preparar a empresa para a retomada dos negócios. Também será preciso investir mais em tecnologias de relacionamento com os clientes, sobretudo intensificando a adoção de sistemas inteligentes baseados em plataformas digitais. Sistemas de entrega em domicílio, chamados delivery, e canais de venda online têm sido efetivos às empresas. “Neste momento, a criatividade e inovação serão fundamentais para manutenção das atividades. E não estamos dizendo apenas de algo realmente novo ou que ainda não exista, mas novas formas de fazer o mesmo, seja em produto, serviço, processo e canais ou até um novo modelo de fazer o negócio”. “A maior parte das soluções que uma empresa pode adotar já existe, ou seja, muitas estavam prontas e agora serão adotadas com mais urgência ou terão sua relevância reconhecida”, avalia Vieira. Experiência digital Por causa da pandemia, empresas e clientes tiveram que se adequar e estabelecer novas relações de consumo. Com a recomendação de distanciamento social, o movimento de migração para canais online foi fundamental para os negócios continuarem vendendo. Os consumidores, por sua vez, tiveram o meio digital como única alternativa. “O que temos visto é apenas a intensificação ou uso em larga escala da compra online e do delivery, que são procedimentos de compra e entrega que já existem há mais de duas décadas. Portanto, não são novidade. O que está acontecendo agora é apenas uma espécie de institucionalização do e-commerce e do delivery”, destaca o professor da UEM. Gussoni compartilha da opinião e acredita que essa institucionalização trará mudanças profundas. Segundo ele, os empresários que não enxergavam a internet com bons olhos e tinham resistência em utilizar o meio para vender, mudaram de opinião e agora a veem como uma grande possibilidade de aumentar o faturamento. Entre os aspectos positivos da internet, os especialistas destacam a possibilidade de venda 24 horas, redução de custos com estrutura física e aumento da competitividade em relação a concorrentes maiores, pois um site estruturado, aliado à segurança no processo de compra e confiabilidade na entrega, coloca os pequenos comércios em condições de competir com grandes empresas. Já os consumidores que ainda tinham receio de comprar pela internet tiveram que se render e descobriram vantagens e facilidades. “Da mesma forma, muitas pessoas tiveram seus problemas resolvidos pelo delivery, e isso marcará para sempre seus comportamentos”, prevê o consultor. Um estudo da SmatCommerce, plataforma de comércio eletrônico para produtos embalados, mostra que aproximadamente 40% dos compradores online fizeram sua primeira compra nessa modalidade em março, ou seja, já sob o ‘incentivo’ do isolamento social, em busca de segurança. Jornada do cliente “É importante que os negócios nas plataformas online acompanhem a jornada do cliente, desde a busca até o pagamento para garantir uma experiência positiva”, diz a professora da PUC/PR Juliana Medeiros, doutora em Administração. E as lojas físicas, como ficam neste novo cenário? Para os especialistas, os consumidores devem ir às compras, mas com tendência desse número ser progressivo nesta retomada, pois muitos estão atentos aos cuidados e sairão de casa somente em situações de maiores necessidades. O comportamento também deve ser mais contido no quesito finanças. Apreensão em relação ao emprego, redução da renda familiar, saúde, economia do país e do mundo se manterão fortes ainda por um bom período e devem levar o consumidor a adotar um comportamento ponderado e racional. “O consumidor se utiliza mais da racionalidade para a tomada de decisão, e custo e funcionalidade poderão ter maior peso na determinação da compra. As questões emocionais, simbólicas e psicológicas que envolvem a maioria dos produtos e serviços que consumimos, principalmente quando a compra envolve emoções, influenciarão menos”, ressalta a professora. “Sabemos que por mais que voltemos às atividades a que estávamos acostumados antes da crise, o tema coronavírus ainda não terá sido definitivamente resolvido. Pelo menos até o fim do ano teremos uma recuperação em U, ou seja, lenta, gradativa, proporcional ao sentimento de segurança que os avanços no combate à pandemia e a evolução dos indicadores econômicos proporcionarem”, avalia Oliveira. Francisco Giovanni David Vieira, professor: “o que está acontecendo agora é uma espécie de institucionalização do e-commerce e do delivery” Para a professora Juliana Medeiros, “as questões emocionais, simbólicas e psicológicas que envolvem a maioria dos produtos e serviços que consumimos influenciarão menos” Wendell Gussoni, do Sebrae: pequenos negócios têm, em média, caixa para aguentar 23 dias fechados box: O que esperar? Os especialistas afirmam ser difícil fazer uma projeção sobre os próximos meses diante da incerteza do tempo que será preciso praticar isolamento social. A retomada das atividades deverá ser gradativa e numa velocidade incerta. Eles confiam, no entanto, que o consumo voltará a crescer, mas em ritmo diferente. “A história nos mostra que, em situações de imposição de realidade, ou seja, quando somos obrigados a mudar hábitos, economizar e racionar, muitos desses hábitos permanecem após o período emergencial. Em 2001, por exemplo, quando houve o racionamento de energia elétrica, a população colaborou e economizou. Passada a necessidade de racionar, o consumo nunca mais voltou ao patamar anterior. As pessoas aprenderam a economizar e descobriram que era possível, acima de tudo, reduzir seu gasto nesse campo”, cita Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValerio – associada à Fundação Dom Cabral. Ele lembra ainda que a sociedade valoriza as empresas que, em momentos de dificuldades como o que estamos vivendo, se posicionam de maneira solidária, oferecendo apoio e contribuindo diretamente para amenizar os impactos da crise. “O posicionamento neste momento deve e precisa ser de solidariedade, apoio e reforço à sociedade nas orientações sanitárias preventivas”, finaliza. “A história nos mostra que, em situações de imposição de realidade, muitos desses hábitos permanecem após o período emergencial”, aponta Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValerio

Em casa a trabalho

De repente a casa virou escritório e é preciso cumprir horários, manter a produtividade e conciliar reuniões virtuais; segurança dos dados exige proteção extra Nas últimas semanas, salas, cozinhas e até os quartos das residências se tornaram ambientes corporativos em todo o planeta. Computadores, celulares, documentos comerciais e contratos agora fazem parte do cenário familiar. A pandemia do novo coronavírus trouxe uma nova realidade de vida, que refletiu na mudança de cultura do ambiente corporativo a partir da implementação do trabalho remoto, o home office. As empresas que podem, devem continuar com as equipes trabalhando em casa para reduzir a circulação de pessoas e evitar a contaminação. Embora permitida pela legislação trabalhista, essa atividade ganhou destaque neste momento, e está sendo adotada tanto por empresários e colaboradores até por terceirizados, prestadores de serviços e profissionais liberais. Gestão de atividades, engajamento e confiança entre gestor e funcionário são os principais desafios do trabalho remoto, de acordo com Renan Rossi, diretor na Dinâmica Consultoria, empresa júnior de Engenharia de Produção da Universidade Estadual de Maringá (UEM). “Tenha o seu espaço, organize um lugar separado para trabalhar, se possível longe da cama ou sofá, e minimize as distrações. Uma dica é utilizar a ferramenta ‘Não perturbe’ do celular. Crie uma rotina, estabeleça horário fixo para trabalhar e faça intervalos para não se desgastar. Além disso, tomar banho e trocar de roupa espantam a preguiça e dão sensação de mais produtividade. Outra dica é organizar as tarefas: faça checklist e planeje as tarefas do dia seguinte e da semana”, ressalta Rossi. A tecnologia contribui para manter gestores e colaboradores conectados, como o Pipefy. “Essa ferramenta conecta cards de diferentes departamentos para colaboração em equipe, automatiza tarefas repetitivas e manuais, criando fluxos de trabalho automatizados, cria base de dados com as informações importantes e gera relatório dos processos sem complicações”, explica Rossi. Outra opção é o Monday.com, ferramenta de assinatura que integra a equipe de trabalho e gerencia tarefas e projetos. “É possível nomear encarregados e acompanhar o status e a data de entrega, gerenciando a carga de trabalho da equipe, automatizando o fluxo de trabalho e facilitando insights exibindo dados de forma fácil para assimilar e entender”, destaca. Já o Trello mostra uma visão geral de quem está fazendo as tarefas, ou seja, menos e-mail, menos reuniões, mais produtividade. Ele organiza as informações e acompanha tarefas por meio de listas. Para reuniões online, podem ser utilizados os aplicativos Google Duo, Zoom Cloud Meetings, Microsoft Teams, Skype e Hangouts Meet. Home office para clientes A Sistemar Tecnologia sempre utilizou o trabalho remoto com parte da equipe. Com a pandemia, durante várias semanas 100% do efetivo ficou em home office. No final de abril, parte da equipe retornou ao trabalho na empresa, em sistema de revezamento. “De modo geral, nosso mercado não estava acostumado, e nem a gente, a ficar todo dia em casa, trabalhando sem ver o vendedor, sem ver a área de suporte durante vários dias”, explica o CEO Anderson Stefani. De acordo com ele, o WhatsApp tem sido essencial para manter a empresa conectada aos colaboradores e clientes. “Fizemos grupos de WhatsApp específicos, como o do Comitê do Coronavírus, para discutirmos se há novidades, além do grupo dos heads com os diretores, e o grupo geral da empresa, onde comunicamos as decisões de maneira rápida”, explica. Para manter a proximidade, a empresa usou a criatividade e implantou um café online. É um momento de descontração em que toda a equipe se conecta por chamada de vídeo por cerca de dez minutos e conversa sobre qualquer assunto que não seja o trabalho. Além do desafio de manter a equipe focada, a Sistemar Tecnologia teve o importante papel de auxiliar os clientes a implantar o home office. “Houve uma demanda gigante para que nossos clientes conseguissem ter seus funcionários trabalhando em home office. Muitos não estavam preparados para que cem, 200 colaboradores trabalhassem em casa. Como acessar as planilhas e informações de casa, e o principal, de maneira segura? O problema maior é quando isso está suscetível a problemas de invasão e roubo de dados”, afirma. Proteção de dados Para que o home office seja produtivo e seguro, é necessário atenção com o uso dos dispositivos eletrônicos. Tais cuidados devem ser comunicados aos colaboradores, caso o empregador não possua uma política de conduta ética estabelecida. De acordo com a advogada Deborah Francielle Polsaque Alves, que tem certificação em compliance e anticorrupção, o primeiro cuidado é separar os dispositivos eletrônicos de uso doméstico dos de uso corporativo, notadamente quando contenham dados pessoais de clientes e informações sobre a movimentação corporativa. “É comum que crianças e adolescentes baixem jogos, aplicativos ou abram e-mails ou sites em computadores e celulares que parecem inofensivos, porém, possuem políticas para acessar banco de dados, instalação de vírus, entre outras práticas que permitirão o acesso aos dados privados, algumas vezes por hackers”, destaca a advogada. Outro cuidado é a instalação de senhas para o acesso aos dispositivos eletrônicos de trabalho. As senhas não devem conter datas de aniversários, celebrações de casamento e placas de carro, por exemplo, e não devem ser escritas em local físico. Para não esquecer, a dica é anotar em agendas virtuais em nuvem. Além disso, os programas de softwares dos dispositivos e seus devidos antivírus originais devem ser atualizados. Outro fator de grande importância é a alteração frequente da senha wi-fi da residência que, muitas vezes, é compartilhada com prestadores de serviços ou visitantes não frequentes, e isso faz com que a rede de internet residencial se torne vulnerável. “Entre as opções atreladas à segurança da informação, privacidade dos dados dos clientes e da atividade corporativa, sugere-se a utilização da ‘Rede Privada Virtual’, que possibilita a integração de dispositivos remotos às redes corporativas de forma segura pelo qual um colaborador em home office terá acesso a uma rede interna com o tráfego de informações criptografados”, frisa Deborah. Segundo ela, há ainda os navegadores da internet e e-mail criptografados. “Eles podem ajudar a mitigar os riscos na atividade desenvolvida em home office e nas reuniões virtuais”, finaliza. Renan Rossi, diretor na Dinâmica Consultoria: “crie uma rotina, estabeleça horário fixo para trabalhar e faça intervalos para não se desgastar” Sistemar Tecnologia criou grupos de Whats exclusivos para este período e adotou café por vídeo com toda a equipe, conta o CEO Anderson Stefani Deborah Francielle Alves, advogada: trocar senhas de wi-fi e não adotar senhas com datas de aniversário e placas de carro ajudam a proteger dados Rotina no home office Existem três pontos principais para manter uma rotina produtiva e eficaz no home office, de acordo com a master coach Sandrely Gavioli. O primeiro é fazer um acordo consigo e com a família. “É preciso ter clareza do horário que o profissional vai começar o expediente, e deixar claro para as pessoas que estão na casa a rotina que será cumprida e os motivos pelos quais é necessário o apoio de todos. Se não pactuar, as chances de sofrer interferências, se estressar e desistir, serão grandes”, afirma. A segunda peça-chave é a mudança de padrão. Sandrely explica que trabalhar em casa é uma realidade, estar em casa à vontade é outra. “São rotinas diferentes, que exigem padrões de comportamento, banho, roupa, calçado, postura, onde ficar e quando comer. Esses detalhes dão significado para o cérebro e ele entende se é hora de descanso e distração, ou de foco e produção. Faça o cérebro entender que você está trabalhando, independente do lugar físico”. O terceiro ponto é eliminar distrações. “Sons externos, eletrodomésticos ligados, movimentação das pessoas, celular, dinâmica doméstica… busque rituais e tome providências para que na hora do trabalho, no momento pactuado com a família, o profissional não seja interrompido por nada”, acrescenta. As reuniões se tornaram ainda mais populares neste período de pandemia, pois são práticas, eficientes e econômicas. Mas também exigem regras de etiqueta. É importante buscar um cenário de pouca informação e que demonstre conexão com a situação, além de vestir-se adequadamente. Ao entrar na reunião, é de bom-tom identificar-se, cumprimentar a todos e deixar o microfone no mudo enquanto não está falando. Se o microfone estiver ligado, a dica é fazer anotações em papel, pois o barulho do teclado pode ser inconveniente para os participantes. Sandrely também frisa que o celular deve estar no modo silencioso e fora do alcance de visão. Também não é o momento para fazer refeições, água e café são o suficiente durante uma reunião online. “Faça contribuições relevantes durante a reunião em home office, pois o tempo e a atenção no mundo online são ainda mais preciosos e caros”, finaliza. “Busque rituais e tome providências para que na hora do trabalho, no momento pactuado com a família, o profissional não seja interrompido por nada”, pontua a master coach Sandrely Gavioli

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