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“Temos a chance de criar uma sociedade melhor ou pior”

Em um passado nada distante, não eram poucos os profissionais que planejavam passar mais tempo com a família ou tirar um ano sabático. Pois bem, o futuro chegou. E precisa ser vivido. “Estamos obrigatoriamente dentro de casa, conectados às famílias. Me parece prejudicial pensarmos no pós-pandemia neste momento, no futuro ‘ideal’ como costumávamos fazer. Vale o esforço para viver o hoje”, opina o jornalista Marcos Piangers. Especialista em tecnologia e inovação, Piangers acredita que é possível transformar a pandemia da Covid-19 num profundo aprendizado e aprimoramento. “Temos a chance de criar uma sociedade melhor ou pior, é uma bifurcação que acontece em todos os momentos históricos”, destaca o jornalista, autor do best-seller ‘O papai é pop’. Para o mercado corporativo, ele acena para dois caminhos. Um com empresas mais humanas, de trabalho remoto e assíncrono, treinamentos constantes e trabalhadores inspirados. O outro é de monopólio, com empresas sem comprometimento social e limitando o acesso de negócios menores a mercados importantes. Confira:   Há quem diga que a pandemia antecipa mudanças. Você concorda? Há tempos sofremos uma série de impactos da tecnologia na nossa relação com o trabalho. Antigamente trabalhávamos até as 18h e agora vamos até as 22h. Levamos trabalho para casa, respondemos e-mail e consultamos incessantemente o WhatsApp. Sem falar nas possibilidades proporcionadas pelas plataformas digitais. Sem dúvida, a pandemia potencializa a rapidez dessas transformações. Depois da crise de 2008 assistimos ao surgimento dos bitcoins frente à insegurança do mercado financeiro. Depois dos bancos digitais, veio o boom nas startups chinesas. A crise é uma ruptura que oportuniza às empresas e aos empreendedores mais audaciosos a oferecer soluções que podem se estender para períodos de bonança. Esta de 2020 certamente vai potencializar o e-commerce. Marcas que conseguirem se posicionar digitalmente, construindo um relacionamento com o cliente, terão vantagem frente aqueles que estão esperando a crise passar. O trabalho será assíncrono, ou seja, poderá ocorrer em períodos do dia diferentes sem que os trabalhadores estejam no mesmo local e na mesma hora. Isso deve dar um salto de produtividade ao permitir que empresas funcionem 24 horas, com colaboradores em diferentes partes do mundo produzindo e entregando resultados o tempo todo. O coronavírus também torna urgente a necessidade automação na indústria. A crise nos permite redesenhar o mundo e dela pode sair uma sociedade mais democrática, inclusiva, igualitária e inovadora ou uma sociedade centralizada, como monopolização de poder, menos distribuição de renda e oportunidade de crescimento.   O universo digital se tornou a salvação para muitos negócios, inclusive para aqueles que tinham resistência ao meio. Este deve ser o início de uma nova geração de empreendedores? É a chance de experimentar e ousar mais. Há tempos se fala sobre a necessidade de reinvenção e digitalização dos negócios, das marcas, dos profissionais e das empresas. É preciso abraçar a tecnologia, não lutar contra ela. Com esta crise, muitos que acreditavam que os negócios poderiam ser conduzidos da forma que sempre foram estão percebendo que é necessária a digitalização. Nos dois últimos meses uma série de empresas criou pontos de contatos direto com os consumidores, como a Coca-Cola, porque descobriu que um sistema de distribuição analógico não é mais tão eficiente como se imaginava. Essa urgência abre a possibilidade para que tanto jovens quanto idosos reinventem seus negócios e profissões por meio dos ambientes digitais.   Como se manter criativo e motivado diante de um cenário tão adverso como o atual? Estamos vivendo uma época de adversidade e medo, e este cenário limita a criatividade, a confiança e a ousadia. Quando sentimos medo, nos tornamos mais conservadores, queremos guardar o que temos. Porém, este é o momento ideal para empreender. Agora é mais barato alugar um escritório ou uma loja para lançar uma marca. É o momento perfeito para contratar bons profissionais por salários menores porque as pessoas estão dispostas a trabalhar ganhando menos por causa da crise. É hora de cultivar uma mentalidade de abundância e criatividade, apostar naquilo que te inspira e transformar esta ideia em algo valioso para a sociedade. Isto é empreender. Em ambientes adversos como o atual, a maioria não consegue visualizar oportunidades por medo ou limitação. Este é outro ponto que favorece quem consegue criar um ambiente de positividade, ousadia, crença e fé.   Como todas essas mudanças devem impactar nas relações? Estamos diante de uma bifurcação. Existe a possibilidade de criar relações mais humanas, afetuosas e que valorizam as relações familiares e comunitárias. Ou podemos criar uma sociedade menos humana, distante e brutal através de leis, governos e empresas. Empresas que incentivam a competitividade estão incentivando uma sociedade mais distante e marcada por animosidade, diferente daquelas que incentivam a colaboração, o trabalho em equipe, empatia e criatividade. Inclusive estudos globais indicam que estas são as habilidades do futuro.   Além de especialista em inovação, você é referência em paternidade. Como criar as gerações digitais para o futuro? Para preparar as gerações temos que falar sobre as habilidades do futuro, que passam tanto por conhecimento em tecnologias como habilidades humanas. Precisamos criar pessoas mais humanas, que tenham confiança nos outros, empatia e saibam se comunicar. Tem que falar com clareza e ser entendido, mas também tem que ouvir as nuances do interlocutor. É um grande desafio preparar as novas gerações, porque a escola não está preparada. Temos ambientes educacionais parecidos com indústrias do século passado. Crianças de uniforme e atendendo aos sinais semelhantes a um processo fabril. Esses alunos estão sendo preparados para trabalhar em fábricas, serem mandados, não para serem líderes e trabalhar em equipe. Vemos uma adaptação gradativa e lenta da escola para essas necessidades do mercado de trabalho. Por isso, é essencial que os pais participem para deixar esta geração mais afinada com a modernidade.   Como conciliar carreira, negócios e família? Desacelerando. Temos a ideia que trabalhar muito é sinônimo de produtividade. Eu discordo. Precisamos trabalhar melhor, selecionar no dia um momento de trabalho focado e profundo. Não é trabalhar bastante que nos torna produtivos, é trabalhar inteligentemente, de maneira focada e certeira. Conciliar carreira, negócio e família é muito simples quando se tem claro no que se é bom e como entregar o máximo de valor à empresa e ao cliente. Os profissionais que têm família precisam deixar claro à empresa que não vão responder e-mails depois das 18h e aos fins de semana. Trabalhe de forma eficiente e produtiva durante o expediente, não o tempo todo.   Qual o conselho para os pais sobrecarregados pelas demandas de trabalho e as rotinas domésticas durante o isolamento? É muito importante dividir o dia em momentos solitários de produtividade e de interação com a família. Essa produtividade solitária provavelmente será menor que oito horas. Estávamos acostumados a pegar trânsito e ficar no escritório enquanto os filhos estavam na escola. Lá respondíamos e-mails, conversávamos com os colegas, almoçávamos, retornávamos e respondíamos mais e-mails, fazíamos reuniões e às 18h pegávamos o filho na escola e íamos para casa. Certamente o que vivíamos no escritório também não eram oito horas de trabalho. Eram entregas produtivas que alternavam momentos de relaxamento, conversa e interação. É isso que precisamos ter em casa. Dá para combinar com a família horários exclusivos e solitários, sem interrupção, para entregar o que precisa ser feito e depois ter tempo de afeto, abraço e colo para a família, porque é o que de verdade importa na vida.

Turismo e hotelaria se adaptam aos novos tempos

Um dos mais afetados pela pandemia, setor reforça medidas de segurança e desenvolve ações estratégicas para atrair clientes   Da segunda quinzena de março até 16 de junho o Hotel Deville de Maringá permaneceu fechado em obediência a decretos municipais para evitar a disseminação do novo coronavírus. Devido ao distanciamento social, o setor de turismo e eventos tem sido um dos mais afetados pela pandemia, e algumas empresas continuam sem exercer atividade para evitar aglomerações, a exemplo de festas de casamento e buffets infantis. No caso do Hotel Deville, a volta ocorreu a partir de uma série de medidas de segurança implementadas para preservar a saúde e a tranquilidade dos hóspedes. Entre as novas regras, o gerente-geral, Álvaro Garcia, cita que todos os colaboradores passaram a usar Equipamento de Proteção Individual (EPI) e os hóspedes que se apresentam sem máscara recebem modelos descartáveis gratuitamente. Na recepção foi instalada proteção de acrílico e marcação para distanciamento de segurança no balcão de atendimento. Dispensers de álcool em gel também estão espalhados pelo hotel. Já os cartões de acesso aos apartamentos, cardápios, canetas e máquinas de cartão de crédito estão sendo higienizados a cada utilização. A limpeza também tem sido feita com mais frequência nos elevadores, que passaram a ter limite reduzido de ocupação, e com produtos bactericidas nos apartamentos. Os hóspedes ganham álcool em gel individual e podem conferir o cardápio digital pela televisão do quarto. “No restaurante, o buffet de café da manhã passou a ser protegido por uma ‘cortina’ de acrílico, e um garçom serve com a devida proteção e cuidado”, conta o gerente. As mesas são higienizadas com frequência, os guardanapos de pano foram substituídos por descartáveis e os talheres são disponibilizados em envelopes. Na cozinha, todos os protocolos de higiene e segurança alimentar também foram intensificados. Nas duas primeiras semanas após a reabertura, o hotel registrou média de 15% de ocupação, e a maioria dos hóspedes se apresentou como profissional em viagem de negócios. “Temos divulgado nos meios digitais nossas medidas de segurança, e isso tem incentivado as pessoas a virem se hospedar. Inclusive, o feedback dos hóspedes é positivo, com relatos de que se sentiram seguros”, comemora. Apesar da retomada, o impacto financeiro ainda é alto. A estimativa é de queda de 70% no lucro operacional. “Não tem sido fácil, mas a segurança em relação à saúde é primordial neste momento”, pondera Garcia. A expectativa, porém, é que em alguns meses ou até o final do ano os índices de ocupação e a receita voltem a níveis normais. “Sabemos que isso só vai acontecer quando a pandemia estiver controlada, e quando as empresas, investidores e o público em geral se sentirem mais confortáveis e seguros com o retorno das atividades”, avalia.   Destinos regionais Apesar da pandemia levar o turismo a enfrentar dificuldades, destinos regionais estão ganhando destaque. É o caso do Recanto Pinhão, que tem mantido a locação em ritmo quase normal. “Temos dez unidades para locação que estão sempre ocupadas e, mesmo assim, parece que a pousada está vazia, porque a propriedade é ampla”, enfatiza o proprietário José Ferreira de Lacerda. Ele observa que turistas, inclusive de alta renda, têm pesquisado destinos próximos de suas cidades para se deslocar de carro. “Atualmente há o receio de fazer viagens distantes, porque isso exige horas em avião ou ônibus, tendo contato com outras pessoas. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de sair de casa, principalmente quem tem criança”. Com proposta de turismo rural, a pousada tem mais de 20 alqueires e fica no município de Tamarana, a 125 quilômetros de Maringá. A estrutura conta com suítes e chalés com cozinha própria, além de pátio com amplo gramado, onde há ambientes de repouso, restaurante, Wi-Fi, lago com pesca livre, coqueiros e araucárias centenárias. O espaço ainda oferece trilhas, cachoeira e mata virgem. “É um local de descanso e apreciação da natureza, onde as crianças podem brincar livres e sem perigo”, enfatiza Lacerda. No início do período de isolamento social, o recanto fechou apenas o restaurante por 40 dias, o que fez o faturamento cair mais de 60%, porque a comida caseira é um atrativo relevante para as finanças da pousada. “Reabrimos, mas limitamos a capacidade do restaurante a 30% e reforçamos o cuidado com a higienização”, explica. Com as medidas de segurança e a necessidade de as pessoas encontrarem um local de passeio, Lacerda diz que o recanto tem atraído novos hóspedes. “Quem tem mais poder aquisitivo geralmente busca destinos glamorosos e internacionais. Ao chegar aqui pela primeira vez, alguns demonstram preocupação com as acomodações”, comenta. Durante a estadia, porém, os hóspedes descobrem o turismo rural. “Eles ficam encantados em encontrar riqueza natural nos nossos destinos regionais, e se sentem renovados pelo descanso e pelo tempo de qualidade com a família”, ressalta o empresário.   Eventos Para os segmentos que compõem a cadeia de fornecedores de eventos, como buffets, salões de festa e locação de trajes, a pandemia trouxe reflexos desafiadores. Que o digam os diretores da Marbô, Sirley Ivatiuk Mazur e Paulo Roberto Ivatiuk Mazur, que tiveram que repensar as estratégias para atravessar este tempo de isolamento social. Especializada na locação de vestidos para festas e noivas, a Marbô fechou as portas durante 31 dias. Nesse período, Sirley conta que a primeira reação foi acalmar a maioria das clientes que adiou o tão sonhado casamento – apenas duas noivas cancelaram o evento. “Em home office, fizemos a alteração de datas e renegociamos o pagamento dos trajes”, cita. Enquanto isso, e também em home office, os diretores, a equipe de marketing e os consultores de vendas desenvolveram ações para a retomada dos atendimentos, no final de abril. Uma das medidas para manter o faturamento de locação de vestidos de noivas foi resgatar clientes que tiveram o atendimento desmarcado por conta da pandemia. A empresa prospectou noivas e assessores de eventos por meio de redes sociais e disponibilizou voucher de desconto para as clientes. “Além do ótimo resultado, ficamos felizes em proporcionar às noivas sonhar novamente e vivenciar um momento tão importante que é a escolha do vestido”, enfatiza Sirley. No final de junho, a loja também participou de um evento online, chamado Save the date. Na ocasião, a equipe prestou atendimento digital em tempo real e direcionou agendamento para posterior atendimento presencial. Outra decisão foi antecipar para abril uma ação que seria em maio para a venda de vestidos de festa a preço acessível. “Essa estratégia também nos ajudou, embora a venda represente apenas 5% do faturamento”, comenta. Já o segmento de locação de vestidos apresentou redução de cerca de 70% entre abril e maio se comparado ao ano passado. Para melhorar o resultado, no início de junho a equipe Marbô passou a incentivar as formandas de 2021 a voltar a sonhar com a celebração. “Todas essas ações foram positivas e trouxeram esperança aos 28 colaboradores. Estamos focados em superar esta fase, que exige cautela e decisões precisas”, reforça a diretora. Todo esse cuidado também esteve presente nas medidas preventivas: além do uso de álcool em gel e máscaras, o atendimento passou a ser feito com equipe e horários reduzidos, e mediante agendamento para que cada um dos cinco consultores pudesse atender apenas uma cliente por vez, e ainda com limite do número de acompanhantes. A expectativa, segundo Sirley, é que a partir de setembro as atividades recuperem o ritmo normal de trabalho. “Este momento vai passar e apesar de difícil, nos deixará ensinamentos”.

Replanejamento estratégico

Pandemia leva empresas a mudar estratégias e a revisar planos; as dicas são encurtar prazos de planejamento, envolver equipe e fazer análise financeira levando em conta o faturamento futuro principalmente para os negócios com dívidas   Depois de trocar o ‘improviso’ do ambiente doméstico por um endereço comercial na avenida Alexandre Rasgulaeff, no ano passado, a Trio Bordados estabeleceu como meta para 2020 a ampliação do portfólio. Especializada em bordados de enxovais de bebê e uniformes profissionais e escolares, a empresa fundada pela família Paião pretendia expandir a atuação para o segmento de bonés no segundo semestre. “Com a mudança de endereço, a clientela aumentou e sentimos que dava para investir em um novo mercado. Pesquisamos possibilidades e optamos pelos bonés, porque acreditávamos que dariam melhor retorno”, conta a sócia Liliana Paião, que divide a gestão da empresa com o marido, José Adauto Paião, e o filho Bruno. Superadas as etapas de estudo de mercado e cotação, a família negociava com fábricas de Maringá e região e preparava os ajustes na máquina computadorizada da empresa quando precisou rever os planos por causa da pandemia da Covid-19. O fechamento do comércio por 30 dias, determinado pela prefeitura de Maringá como medida de enfrentamento ao novo coronavírus, fez as vendas no balcão despencarem, derrubando o faturamento entre 30% e 40% desde março. Com a suspensão das aulas, ainda sem retorno previsto, e a adoção do trabalho remoto por empresas, a procura por uniformes não é mais a mesma. Diante deste cenário, o jeito foi revisar os custos e a compra de insumos. “Reduzimos os pedidos semanais de toalhas e itens de enxoval de acordo com a demanda. O pró-labore dos sócios também diminuiu”, conta Bruno. Já o plano de expansão foi momentaneamente engavetado. O dinheiro que seria investido para adaptar a máquina para bordar os bonés – em torno de R$ 3 mil - está sendo redirecionado para a implantação de um site próprio. “O investimento não era alto, mas somos uma empresa familiar e entendemos que o momento é de focar nas vendas”, diz Bruno. Ele destaca que as vendas online estavam nos planos da família, porém para o futuro. “A pandemia empurrou as empresas para o universo online, e com nós não foi diferente”. O e-commerce está em desenvolvimento e ainda não tem data para entrar no ar. O foco será os artigos infantis, de maior saída no momento. “Estamos trabalhando no desenvolvimento do site e na definição de valores para assegurar uma margem de lucro, já que no online há a entrega”, diz Bruno. Enquanto o e-commerce não fica pronto, a Trio Bordados aposta nas interações com os consumidores por redes sociais, como Facebook e Instagram, e pelo WhatsApp para fortalecer as vendas. Apesar das adversidades, a família confia na sobrevivência da empresa, que está no mercado há menos de dois anos. “Dá para continuar, só é necessário fazer ajustes conforme o cenário”, avalia Bruno.   Novos produtos O acompanhamento do avanço dos números da Covid-19 e das restrições impostas por decretos municipais faz parte da rotina diária do empresário Carlos Cândido Costa, da Ingalimp. E não poderia ser diferente. Por causa da pandemia, ele viu as vendas de álcool em gel dispararem praticamente do dia para noite. Até o início do ano, a empresa comercializava, em média, 40 galões do produto por mês. Entre março e abril, chegou a mil galões. “O álcool em gel estava esquecido pelos clientes, mas com a pandemia, a procura explodiu”, conta. Para atender a demanda, a empresa precisou ampliar a lista de fornecedoresde dois para seis. “Eles não conseguiam atender os nossos pedidos. Costumava pedir 50 galões, no auge fizemos um pedido de 760, mas recebemos somente 40, e com mais de 30 dias de atraso. A indústria alegou que estava dividindo o estoque entre os clientes”. Passado o período crítico, a média de venda estabilizou em 600 galões mensais. Um número ainda expressivo e fundamental para manter o faturamento. Isso porque a maioria dos cinco mil itens do mix da Ingalimp não teve o mesmo desempenho nos últimos meses. “Por sermos do setor de limpeza e higiene, que está na lista dos essenciais, o impacto foi menor, até porque quando a maioria das empresas precisou parar as atividades, conseguimos autorização para continuar trabalhando com as portas fechadas e por meio de delivery. Mesmo assim tivemos queda entre 10% e 15% no faturamento”. E a queda poderia ter sido maior não fosse o plano colocado em prática às pressas pela empresa. Uma das ações foi o aumento expressivo do estoque de desinfetante feito de quartenários de amônio. O produto tem a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como um dos mais eficazes no combate ao novo coronavírus, e por isso é procurado para desinfetar ambientes e superfícies fixas. Neste período a Ingalimp também iniciou a produção de tapetes pédiluvios, usados para a desinfetar os solados. O produto que conta com uma solução sanitizante para eliminação de eventuais vírus é feito na fábrica da Ingalimp, até então utilizada para a produção de tapetes comuns. “Trata-se de um produto que não tinha giro e agora está sendo requisitado para residências e especialmente para empresas”, conta o empresário. Tanto que a fabricação própria – cerca de 100 peças – não é suficiente para atender a demanda de aproximadamente 300 tapetes por mês. O restante vem de um fornecedor de Curitiba. E as inovações não param aí. Um produto que entrou para o mix foi o totem de álcool em gel. E neste caso, há a opção de personalização com a marca do cliente e a inclusão de orientações de uso e prevenção à Covid-19. “Temos um departamento de marketing que faz a personalização de acordo com o pedido e de maneira rápida”, destaca Costa. Os ajustes se estenderam à gestão. Foi adotado o modelo de home office para parte dos colaboradores. Em relação ao estoque, os pedidos que antes eram feitos entre 30 e 45 dias, agora são semanais. Dessa forma, é possível conciliar a demanda às mudanças no cenário em tempo real e à clientela, agora mais variada. Hoje a Ingalimp tem como público empresas de todos os portes e donas de casa. “São 28 anos no mercado, e esta experiência com fornecedores tradicionais, setor de compras e marketing estruturado permitiram uma resposta rápida. Hoje o plano é passar pela crise para depois focar em novos projetos”, conclui Costa.   Revisar é preciso Assim como a Trio Bordados e a Ingalimp, muitas empresas precisaram engavetar projetos, revisar metas e refazer planejamentos para se adaptar aos novos tempos. E o caminho para sobreviver à crise, segundo especialistas, é este mesmo. Até porque planejar é um processo contínuo de criação, implementação e avaliação de decisões que orientam e permitem a uma organização atingir seus objetivos “É importante reformular o planejamento não só neste momento, mas sempre que necessário. O planejamento existe para ser cumprido, logo, sempre precisa ser consultado, readequado ou aprimorado. É importante saber qual é objetivo maior, independente de quantas alterações nos planos forem necessárias”, explica a consultora e pedagoga Heloisa Negri. Além de redirecionar e estabelecer os próximos passos, a consultora e psicóloga Jaqueline Reinert Godoy aponta a necessidade de manter os colaboradores alinhados às novas estratégias. “Dessa forma o time se sentirá mais seguro, por saber o que a empresa espera dele, e garantirá assertividade em suas ações”. Na hora de refazer o planejamento há pontos importantes. Um deles é acompanhar o avanço dos casos da Covid na cidade e região. Afinal, a esses números estão condicionados as ações e os decretos dos governos restringindo ou liberando o funcionamento dos setores produtivos. Não menos importante são a análise financeira e a revisão do orçamento e metas. As consultoras indicam ainda a implantação de sistema de acompanhamento, revisões constantes e, principalmente, gerenciamento da execução das ações para não correr o risco do planejamento ficar apenas no papel. Proprietária de uma escola de ballet, Heloísa conta que precisou readequar os investimentos para migrar as aulas presenciais para o online. Foi preciso adquirir tripés e fazer ajustes na iluminação para garantir aulas de qualidade às bailarinas. “No nosso caso, são metas mais pedagógicas do que financeiras. Nossa preocupação é com a ludicidade presente no ballet e que as aulas, ainda que online, sejam eficazes”, diz a integrante do Núcleo de Danças do Programa Empreender. Ela está focada ainda em reduzir as despesas da escola e traçou como meta a retenção máxima de alunos. Para isso, a estratégia está sendo manter uma comunicação com os clientes e tentar se adequar à atual situação financeira. “O mais afetado no momento é o cliente, já que é ele quem não está recebendo o serviço contratado, então precisamos colocá-lo como peça central no planejamento. Oferecer soluções e amenizar o impacto da pandemia, principalmente no nosso caso, em que lidamos com crianças”, diz Heloísa. Para Jaqueline, sócia da Idest Gestão e Negócios e membro do Núcleo de Consultores do Empreender, esse canal de comunicação deve ser estendido aos colaboradores. Para auxiliar nesta tarefa, ela indica a metodologia de gestão OKR (Objetive Key Results) – em português objetivos e resultados-chave. Trata-se de uma ferramenta que ajuda a classificar as prioridades para alcançar as metas na empresa. “Os colaboradores conseguem buscar respostas mais urgentes e tomar decisões importantes de forma ágil, atuando na recuperação das áreas críticas e em ações para viabilizar essa retomada”, explica a consultora. O planejamento deve contemplar também o cumprimento de medidas de proteção e segurança, previstas em decretos, para reduzir o risco de contaminação entre colaboradores e clientes.   Prazos Diante da imprevisibilidade do cenário, as consultoras orientam encurtar os prazos de revisões ou elaborar dois planejamentos paralelos. “Precisamos olhar para o futuro, mas não podemos ignorar as condições do hoje. Aqui na escola, estamos trabalhando com planejamentos quinzenais de aulas, ações e sorteios”,cita Heloísa. Jaqueline descarta planejamentos superiores a três meses. Segundo ela, o ideal, neste momento, é planejar o mês ou no máximo o bimestre, “principalmente se o negócio é diretamente impactado por um possível isolamento social”. De acordo com as consultoras, é importante ser flexível e estar preparado para reformular ações diante de um novo decreto ou restrições. Isso permitirá mudar o curso do caminho rapidamente e pensar em uma nova estratégia. Essa cadência de acompanhamento deve ser realizada por todas as áreas da empresa.   Sinal de alerta Neste cenário de retração, a saúde financeira da empresa é outro ponto crucial para o planejamento. De acordo com as consultoras, os empresários devem avaliar como estava o caixa da empresa no início da pandemia, se é possível buscar alternativas financeiras para sustentá-la e, principalmente, se o lucro do negócio no futuro será suficiente para pagar as dívidas. “Se após essa reflexão a resposta tiver um peso muito grande no negativo, talvez seja hora de repensar e tomar uma decisão drástica”, diz Jaqueline. “Desistir, atualmente, pode não ser uma escolha, mas uma solução prudente para o empresário endividado antes da pandemia”, argumenta Heloísa. Mas se a decisão for pela manutenção do negócio, a orientação é enxugar os custos a fim de reduzir o prejuízo e recorrer aos incentivos ofertados pelo governo. Outra possibilidade é uma mudança de mindset. “É possível encontrar oportunidades na crise e transformar o seu negócio de uma forma que se adapte melhor a esse cenário de pandemia”, conclui Jaqueline.  

Feira Digital de Imóveis ‘recebe’ quase 14 mil visitantes

Edição inédita do evento na cidade disponibilizou mais de 400 imóveis, que receberam 83 mil visualizações   Em sete dias a primeira edição da Feira Digital de Imóveis de Maringá recebeu quase 14 mil visitantes online, sendo que 11,3 mil acessaram pela primeira vez o site www.centralimob.com.br, onde foram disponibilizadas mais de 400 opções com preços diferenciados. Com realização da Central de Negócios Imobiliários e participação de 17 imobiliárias, a feira teve opções para todas as faixas de renda, do programa Minha Casa, Minha Vida a alto padrão. Os imóveis mais procurados foram os apartamentos, com 54,5% do total; seguidos por casas e sobrados, com 39%; e terrenos, com 4,5%. A faixa de preço foi variada, sendo que a maior procura foi para empreendimentos de R$ 200 mil a R$ 300 mil, com 25% das buscas; seguidos de imóveis de R$ 100 mil a R$ 200 mil, com 19,1%; e de R$ 300 mil a R$ 400 mil, com 17,7% das buscas. Empreendimentos de alto padrão, com preços entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões também tiveram procura ele Em relação à localização, os bairros mais procurados foram Zona 7, Centro, Jardim Novo Horizonte, Zona 3, Novo Centro e Zona 8. No total, foram 83 mil visualizações nos imóveis. “Tivemos um excelente evento, com um número surpreendente de acessos. Nas próximas semanas as imobiliárias darão continuidade ao trabalho, com a concretização das vendas. O resultado confirma que mesmo em época de crise, como a atual, as pessoas procuram os imóveis, porque são investimentos seguros”, comenta a presidente da Central de Negócios Imobiliários, Marisa Aparecida Macagnan. Durante a feira, os corretores estiveram de plantão para agendamento de visitas, esclarecimento de dúvidas e simulação de financiamento. E foram realizadas lives com especialistas, transmitidas pelo canal no Instagram @centralimob.mga. Os temas debatidos foram: cenários do mercado imobiliário e de crédito no Brasil e Europa; avaliação imobiliária; o futuro da profissão de corretor de imóveis; investimento no mercado imobiliário e um pregão em que corretores apresentaram ao vivo os imóveis à venda. O evento teve o apoio do Sistema Cofeci-Creci, Sindimóveis-PR, Sistema Secovi-PR, Programa Empreender, ACIM, Sub 100, Associação dos Registradores de Imóveis do Paraná e UCI.

Faça você mesmo… com a ajuda de uma empresa

Se os consumidores estão ficando mais em casa, por que não ajudá-los a finalizar pratos culinários e a decorar a casa para comemorações em família? A tendência está em alta em época de isolamento   No mercado desde 2005, o Baco Espaço Gastronômico, assim como a cadeia de bares e restaurantes, sentiu fortemente os impactos da pandemia. Proprietário de outros três estabelecimentos na cidade, o grupo que administra o restaurante precisou fazer 80 demissões e mesmo com a retomada das atividades, vê o movimento até 70% mais baixo. “A pandemia pegou todos de surpresa, não tivemos tempo para nos preparar, além disso, veio à tona um problema que talvez a maioria dos empresários esteja enfrentando: a falta de reserva financeira, principalmente para os restaurantes, que têm um fluxo de caixa dinâmico, por terem estoques perecíveis”, afirma o gerente de operações, Diego Pavan. No entanto, o Baco foi atrás de novas oportunidades e antecipou o projeto ‘Baco em Casa’, uma caixa com os ingredientes para reproduzir um prato do restaurante. “Enviamos as instruções de preparo e um link para acessar uma playlist que toca no restaurante. Nossa intenção é que mesmo em casa, o cliente possa ter uma experiência gastronômica de alta qualidade”, afirma. Para viabilizar o projeto, o restaurante lançou um site exclusivo para a venda dos itens na caixa. Lá o cliente vê as opções, que vão de entradas a pratos principais aos vinhos e sobremesas, combina a forma de pagamento, e recebe tudo em casa ou retira no restaurante. “Estamos contentes com o feedback. Temos visto o prazer das pessoas de estar na cozinha e servir um bom prato, e também a curiosidade de quem não experimentou, por isso, temos planos de oferecer novas experiências. Acredito que esse é um produto que pode ser mais explorado, afinal, muita gente redescobriu o prazer de estar em casa. Por que não acrescentar qualidade e sofisticação e tornar um momento em família mais especial? Esta é a nossa proposta”, finaliza.   Para crianças Quem também precisou reinventar sua atividade foi Dayane Dalquana da Silva, da Hora do Biscoito. Ela trabalha há oito anos com a produção de biscoitos artesanais decorados para festas infantis, batizados e casamentos e, desde a suspensão dos eventos, tem sentido os impactos no faturamento. “Na Páscoa, por exemplo, meu rendimento foi de apenas um terço do previsto”, lembra. Outra fonte de renda eram oficinas de decoração para crianças, que aconteciam nas férias de julho. “Todo sábado à tarde atendia cerca de oito crianças, mas com a pandemia, foi impossível pensar nisso neste ano”, lamenta. A ideia para contornar a situação foi, assim como fez o Baco, levar a experiência para casa, afinal, com as crianças sem irem para escola, os pais têm buscado alternativas para entretê-las com segurança. Foi aí que surgiu a ideia de vender os itens usados na oficina em uma caixa. Com formação em Pedagogia, Dayane capricha para deixar tudo mais lúdico. Além dos biscoitos, ela envia seis opções de glacês coloridos, confeitos comestíveis, touca, avental personalizado com o nome da criança e uma cartinha feita para o confeiteiro aprendiz. “Também tem a opção para irmãos, com mais biscoitos e glacês, dois aventais e duas toucas”, diz. Sem festas infantis, batizados, casamentos e as oficinas para crianças, Dayane da Silva, da Hora do Biscoito, passou a oferecer kits de biscoito com glacês, confeitos e avental para finalizar em casa.   Para não passar em branco Outro segmento que sentiu fortemente a suspensão dos eventos foi o de artigos para festas e decorações. Na Viva Festa e Viva Decor, a pandemia causou queda expressiva no faturamento. Tanto que na loja de artigos para festas, que tem 20 anos de mercado, a equipe sofreu uma redução temporária de 30%. Já na loja de decorações, o impacto foi maior: 35% de cortes e 15% de suspensões temporárias. Atualmente com 37 funcionários, as duas lojas buscaram alternativas para não deixar tantas datas comemorativas passarem completamente em branco. “Na Viva Festa, o delivery foi um grande aliado. As vendas por Whats Lojas passaram a oferecer kit junino, buquê de balões e pequenos kits para festas de aniversário em casa Alana Della Coletta, da Viva Festa e Viva Decor com entrega aumentaram expressivamente, também começamos a oferecer opções mais direcionadas a pequenas comemorações, fizemos promoção de buquê de balões a gás, que é um item decorativo que está em alta, e tivemos um resultado muito positivo”, afirma a produtora de eventos, Alana Della Coletta. Já na Viva Decor, o caminho para driblar a crise foi criar minikits para comemorações em casa com valores especiais. “As pessoas estão fazendo pequenas mesas, somente com os familiares, para as datas importantes, e a decoração é um item essencial para ter um registro lindo do momento”. Com a chegada dos meses de festas caipiras, as lojas se uniram para preparar um kit junino, pensando nas pessoas que não querem deixar a tradição de lado e festejar em casa. “Em outros anos atendíamos escolas, empresas e grupos de amigos, o que gerava um aumento expressivo nas vendas de itens sazonais, mas neste ano prevíamos um consumo atípico, por isso, diminuímos o volume de compras e pensamos em uma alternativa diante do momento”. O kit é composto por itens decorativos como girassóis, espantalhos, espigas de milho, feno, bandejas, suportes para acomodar docinhos típicos e bandeirinhas. “A comemoração em casa tem sido diferente dos anos anteriores, em que tinham danças, brincadeiras e aglomeração. Agora os focos são as comidas típicas e trajes improvisados para comemorar. Tudo feito de forma singela, mas com carinho e alegria”.   Mãos à obra Um dos efeitos da pandemia do coronavírus foi o fechamento da loja colaborativa do Núcleo Ipê Criativo, que faz parte do programa Empreender da ACIM. A loja foi inaugurada em novembro no Mercadão de Maringá e apesar de ter nascido como um projeto temporário, estava demonstrando que era rentável, o que alimentou o desejo das artesãs de manter a loja. Mas a pandemia abreviou o sonho e a loja precisou ser fechada em março, logo após o anúncio do primeiro decreto que suspendeu as atividades comerciais não essenciais. Nas redes sociais as integrantes do núcleo se reorganizaram e encontraram uma forma de estar na ativa. Às terças e quintas-feiras elas se revezam em frente à câmera do celular para dar dicas e ministrar oficinas com transmissão pelo perfil do núcleo no Instagram - @nucleo_ipecriativo. Até o fim de junho foram 11 conteúdos. Sheila de Sousa, que é vice-conselheira, ficou responsável por ensinar como se faz um suporte para plantas de macramê. Ainda teve oficina de como montar arranjo de suculentas em vidro, como arrumar a mesa, como cuidar e limpar peças de feltro, e outros temas. Outra ideia das artesãs para divulgar o trabalho do grupo e aquecer as vendas foi fazer sorteios, vitrines online e leilões pelas redes sociais. Após um lance mínimo, os visitantes do perfil podem ofertar valores até que o item seja arrematado. As artesãs também passaram a compartilhar suas histórias e trajetória profissional. “Com essas ações, temos conquistado seguidores, divulgado nosso trabalho e nos reinventado. A intenção é manter a chama da criatividade e do empreendedorismo em nós”, diz.  

Como serão os espaços de trabalho pós-pandemia?

Se o home office e o delivery vieram para ficar, empresas e empreendimentos imobiliários terão que se adaptar a essas necessidades, o que também deve gerar aumento da demanda por coworkings     Nos últimos meses o mundo do trabalho foi profundamente afetado pela pandemia do novo coronavírus. Milhões de pessoas foram levadas ao regime de home office. Para os que continuaram exercendo suas funções presencialmente, foi imposto o distanciamento, além de uma série de medidas de prevenção , como uso de máscaras, higiene das mãos e objetos. Os novos hábitos trouxeram novas necessidades e, consequentemente, tendências para os espaços de trabalho, e por isso os escritórios não serão mais os mesmos na era pós-pandemia. É o que afirma Cleber Correia, consultor em Gestão Empresarial da CC1 Consultoria e credenciado ao Sebrae/Paraná. “A tendência é que procuremos criar espaços de trabalho onde tenhamos menos contato e aglomeração e mais distanciamento. Aquele conceito de estações de trabalho próximas não será aplicado. Salas de reuniões também vão proporcionar espaçamento maior, e as reuniões serão realizadas em menor intensidade, já que com a pandemia, os empresários tiveram maior contato com ferramentas de reuniões remotas, que até então eram vistas de forma negativa por muitos”, frisa. De acordo com ele, outras tecnologias passarão a ser mais comuns nos escritórios, como sensor de iluminação, para que não seja necessário tocar no interruptor ao acionar luzes, além de sensor de torneira e descarga nos banheiros e outros.   Coworking Espaços compartilhados, os chamados coworkings, ganharão espaço no pós-pandemia, de acordo com o consultor. “Nesse momento os coworkings estão sofrendo, mas no pós-pandemia vai haver um fortalecimento dessa metodologia de trabalho. Já havia uma tendência das empresas migrarem do ponto físico, e a pandemia antecipou essa tendência. Isso vai acontecer, em princípio, por uma questão de redução de custos, já que um escritório físico requer certo investimento, como aluguel”, destaca. Os coworkings podem ser locados por dia, período ou hora, conforme a necessidade do empreendedor e oferecem estrutura pronta, com Wi-Fi, mesas, cadeiras e banheiros. “Você carrega seu escritório debaixo do braço: pega o notebook, coloca na mochila, leva para o coworking, monta o equipamento e rapidinho está em sua estação de trabalho. E esse espaço vem pronto, com segurança, limpeza e secretária compartilhada. Vejo, ainda, que os coworkings vão colocar muita tecnologia a favor dos escritórios, como o uso de QR Code e leitura facial”, explica Correia. E a tendência é que aumente a oferta desse tipo de negócio. “E caso o espaço não tenha ficado legal, o usuário tem a oportunidade de, rapidamente, ir para outro, porque surgirão novas oportunidades”, destaca. Correia acrescenta que as salas e demais cômodos das residências continuarão servindo de escritórios para trabalhadores. “Empresas perceberam que podem enviar seus funcionários para o home office e eles conseguem desenvolver as atividades e proporcionar resultados. Esses empresários descobriram na pandemia melhores formas de flexibilizar o trabalho”.   Atendimento personalizado No mercado há mais de 20 anos, a Itabrasil, agência de viagens e turismo de Maringá, deixou o formato tradicional de atendimento para viver a nova realidade do mercado. Impulsionadas pela pandemia, as três proprietárias fecharam o ponto físico, na avenida Euclides da Cunha, para atender os clientes de forma personalizada, em suas residências, local de trabalho ou até em uma cafeteria. Já os fornecedores serão atendidos em um espaço de coworking. A sócia Adriana Scandelai Soares conta que estava amadurecendo a ideia há dois anos. “Ficávamos com a loja aberta em horário comercial, sendo que 90% do nosso trabalho é feito quando o cliente não está: pesquisa, contatos, acordos comerciais etc. Quando viemos, de forma obrigatória, para o home office, vimos que poderíamos manter o padrão de atendimento, ou até mais elevado, trabalhando com tranquilidade em horários flexíveis. Além disso, somos três mães com filhos pequenos. Essa flexibilidade permitiu que conseguíssemos ter mais tempo para eles e ao mesmo tempo trabalhar em horários alternativos, dedicando mais atenção aos clientes”, destaca. Segundo ela, a mudança foi bem-aceita. “No primeiro momento, achamos que os clientes fossem estranhar, mas percebemos que estamos sólidas no mercado, e que o ponto físico não tem mais a mesma importância. Todos os clientes receberam bem a mudança, até incentivaram. E o atendimento se tornou mais personalizado. O cliente pode marcar uma visita a qualquer hora do dia no local onde ficar melhor”, destaca. Além da flexibilidade de horários e do atendimento personalizado, a mudança trouxe economia. “Alugamos um espaço de coworking onde atenderemos os fornecedores, que muitas vezes vêm de outras cidades, e reuniremos a nossa equipe, quando necessário. Esse contato presencial fortalece o vínculo. E é isso que nos faz diferentes das agências online. Usaremos o espaço pelo menos um dia na semana”, acrescenta.   Empreendimentos do futuro A pandemia acelerou o uso de produtos digitais e criou hábitos. Agora as empresas da construção civil terão o desafio de entender essas mudanças e saber quais vieram para ficar, para que possam definir estratégias de novos produtos e empreendimentos. De acordo com o especialista em Inovação e Tecnologia, Guga Stocco, co-fundador da Domo Invest e membro do conselho de administração da Totvs e do Banco Original, a construção civil terá que “abraçar o século XXI”, investindo em tecnologia, design e serviços. Além da construção em si, as empresas terão que se preparar para um modelo de negócio híbrido. Stocco cita tendências que vieram para ficar e que devem ser pensadas nos futuros empreendimentos: o home office, os condomínios híbridos, o delivery e a inclusão de serviços nos produtos imobiliários. “O home office é uma tendência que vinha ocorrendo em países desenvolvidos e mostrou que empresas brasileiras vão continuar adotando esse modelo. Os empreendimentos residenciais deverão ter espaço para incluir o home office, garantindo privacidade, acústica, iluminação e em alguns casos até um piso elevado em virtude da quantidade de fios e equipamentos”, explica. Já os condomínios híbridos unem casa e escritório. “Uma grande tendência será ter o escritório e a residência no mesmo empreendimento, ou em alguns casos empreendimentos residenciais deverão incluir restaurantes, espaços de coworking e para reuniões mais sofisticadas”, frisa. Stocco reforça que o delivery de alimentos veio para ficar. “A entrega de comida vai continuar, e hoje os condomínios não estão preparados para isso: fila de motoboys na entrada, falta de segurança, os moradores precisam sair do apartamento para pegar a comida etc. Precisamos criar produtos que otimizem e melhorem esse processo”, explica. Além disso, com o home office, a busca por casas em condomínios próximos das cidades, com infraestrutura e segurança, deve aumentar, tanto residencial como comercial. “Um exemplo é a XP Investimentos que anunciou a ideia de criar uma vila no interior de São Paulo seguindo o estilo Vale do Silício”, explica. A construção civil também deverá estar atenta à inclusão de serviços. “Há outras tendências acontecendo, como serviços compartilhados de bicicletas elétricas, carros, aluguéis de produtos e serviços. Os condomínios serão grandes comunidades de serviços, e isso deverá ser pensado também”, finaliza.


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